[COMPLETO] Papo Tático: Retrospectiva Vitória 2017 (Parte 3)

Em nossa retrospectiva tática do Vitória em 2017 já destacamos as passagens de Argel Fucks, Wesley Carvalho e Petkovic. No Papo Tático de hoje vamos mostrar como Alexandre Gallo e em seguida Vagner Mancini comandaram o rubro-negro baiano.

Alexandre Gallo

Com a saída de Petkovic do cargo de treinador, o sérvio assumiu a diretoria de futebol no lugar de Sinval Vieira. Pet esteve com a missão de encontrar o novo treinador. Todos nós fomos surpreendidos com a escolha por Alexandre Gallo, treinador que não fazia um bom trabalho já há algum tempo. No entanto, esperamos o novo comandante ir fazendo seu trabalho, para assim podermos analisar e mostrar os conceitos que era utilizados pelo técnico.

O Vitória durante todo o ano tinha grande dificuldade em propor o jogo, porém, com Gallo a equipe mostrou certa melhora neste aspecto em alguns jogos, apesar de ficar vulnerável em relação ao sistema defensivo. No entanto, mesmo conseguindo produzir mais ofensivamente, os jogadores ainda tinham dificuldades em marcar os gols.


A imagem acima mostra um dos aspectos que fizeram o Vitória ter um melhor desempenho em seu momento ofensivo, o fato de em alguns jogos realizar uma marcação mais adiantada. Um exemplo bem claro foi o clássico BaxVi, onde a equipe realizou uma boa partida, encurralando o rival em seu campo defensivo, porém, não conseguiu marcar o gol, tendo o jogo o placar final de 0 x 0.


Podemos observar acima como o time ocupava bem o campo ofensivo, colocando até os dez jogadores de linha após o meio. Isso encurrala o adversário em seu campo, que sem espaço para jogar tem que sair no chutão.

O que colaborou contra o trabalho de Gallo, ao meu ver, foram alguns critérios equivocados. Primeiro que, por fazer seu time jogar em função do adversário, ou seja, a estratégia sempre mudava a partir do adversário a ser enfrentado, o treinador passou a escolher entre David e Neilton, e não em utilizar os dois, pois eram as únicas peças na frente de velocidade e talento da equipe.


Acima podemos observar algumas decisões questionáveis de Gallo. O Vitória encarou o Palmeiras no Allianz Parque, o treinador optou por uma estratégia reativa (algo absolutamente normal ao enfrentar a equipe paulista em seu estádio), no entanto, optar por André Lima numa proposta reativa é complicado, pois por atuar com uma marcação em bloco médio, seu time inicia a marcação a partir do meio campo, ao recuperar a posse irá precisar atacar com velocidade para pegar o adversário desajustado. Mas será que André Lima era a melhor opção para fazer a função de realizar  a marcação no meio e percorrer uma longa distância para a área em velocidade? Outra questão foi a utilização de Cleiton Xavier como extremo pela direita. O mesmo questionamento realizado a escalação de André Lima pode se fazer em relação a utilização de Cleiton. Por dentro, a utilização de Renê Santos e Correia, dois jogadores que não possuem um jogo vertical como características. Difícil conseguir um jogo reativo com um time lento.


Outro grande equívoco de Gallo foi não continuar realizando a marcação por zona, retornando a individual por setor, mas com longas perseguições, como acontecia na era Argel. Isso fez com que o sistema defensivo ficasse vulnerável. A equipe não conseguia marcar bem, pois os jogadores abandonavam suas posições para perseguir, gerando espaços em seus setores.

Enfim, Gallo foi se perdendo em suas ideias, o que acabou interferindo diretamente no desempenho dentro de campo.

Vagner Mancini

A demissão de Gallo era eminente e, dada uma reformulação na presidência do clube, Petkovic também deixou a Toca do Leão. Para o comando técnico foi chamado Vagner Mancini. Era um momento delicado, com pouco tempo para se trabalhar e implantar mais uma nova ideia. Era difícil crer que Mancini conseguiria salvar aquele ano, pois a equipe passou a ser muito vulnerável defensivamente, além disso, Mancini não era um treinador com características de ajustar um sistema defensivo, ainda mais em tão pouco tempo.

No entanto, Mancini acabou surpreendendo. Tal feito se deu muito pela mudança de alguns conceitos de jogo no qual o treinador adotou nesta sua passagem.

Primeiro, com Mancini o Vitória retorna a marcação por zona e individual por setor, porém com curtas perseguições, pois o foco principal era fechar os espaços e não a movimentação do adversário apenas.


Na imagem acima podemos observar como o time se postava defensivamente com Vagner Mancini. Um 4-4-2 com linhas bem definidas, compactação, primeira linha adiantada, visando sempre diminuir o espaço do adversário. Vale ressaltar que a primeira linha do Vitória tinha 3 posicionamentos distintos, um mais baixo, um médio e um mais alto, este último mostrado na imagem acima. No entanto, o conceito da marcação continuava inalterado.

Mancini surpreendeu com estes conceitos, o que fez a equipe voltar a ter um sistema defensivo mais sólido.

O Vitória começou a conquistar resultados surpreendentes fora de casa, como vencer Flamengo e Corinthians, por exemplo. A característica de um jogo reativo muito forte foi se formando.


Com um sistema defensivo mais sólido, David, Neílton e Tréllez eram os responsáveis em dar a velocidade necessária para a rápida transição ofensiva, pegando os adversários ainda desarrumados.

Um grande feito de Mancini foi ter conseguido fazer com quê Neílton e David atuassem juntos. Neílton posicionado como um segundo atacante do 4-4-2, mas que quando o time recuperava a posse da bola, ele recuava para armar, sempre buscando se posicionar entre as linhas do adversário. David por sua vez continuava como extremo pelo lado esquerdo.

Em dado momento, Neílton passou por uma fase muito ruim, e isso prejudicou toda a equipe, pois o elenco não tinha muitas opções, com isso, era difícil encontrar alguém para realizar a função que Neílton vinha executando.

O grande problema continuava sendo as partidas dentro de casa, onde a equipe não conseguia vencer.


Um dos fatores que dificultavam o momento ofensivo do Vitória dentro de casa era o fato dos dois volantes atuarem lado a lado, ocupando a mesma faixa de campo. Com isso o time perdia de ter mais um jogador sendo opção de passe mais à frente, ou gerando apoio para os companheiros. A equipe rubro-negra tentava criar pelos lados, porém, não conseguia igualdade numérica por aquele setor do campo, forçando os laterais a cruzarem de uma distância mais longa, sem gerar profundidade.

O Vitória não tem em seu elenco um volante mais vertical, porém, atuar com jogadores assim também não é uma característica do jogo de Mancini.

Com todas as dificuldades e contra tempos, Mancini conseguiu o que parecia impossível, salvou o Vitória de um rebaixamento muito evidente. O treinador possui todos os méritos na mudança de postura da equipe. E o parabenizo por ter revisto alguns de seus conceitos, ter entendido o momento, e aplicado o que se precisava. Torço para que ele continue com esta evolução, pois possui boas ideias e pode crescer ainda mais em sua profissão.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos

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