[COMPLETO] Papo Tático: Neílton e sua importância no esquema de Mancini


O Papo tático de hoje é para falar de um jogador que foi bastante criticado em algumas atuações, porém, exerce função fundamental no esquema de jogo de Vagner Mancini. Por isso, precisamos mostrar essa visão ao torcedor do Vitória.

Para falar sobre o papel de Neílton hoje, precisamos relembrar o que aconteceu no Vitória durante a montagem deste elenco, além de relembrar ao torcedor a importância de aplicar o conceito de função x modelo de jogo em relação a contratação de jogadores.
No início da temporada, o então diretor de futebol Sinval Vieira comentou sobre as inúmeras contratações para o meio campo do Vitória (Cleiton Xavier, Pisculichi, Dátolo e Gabriel Xavier, além de já ter Cárdenas no elenco), pensando ele que desta forma solucionaria o problema pela falta de criação das últimas equipes montadas no clube – ledo engano. Primeiro que, claramente podemos observar que não se foi observado o modelo de jogo e esquema tático do então treinador Argel Fucks e como essas peças seriam encaixadas. Engana-se quem pensa que isso é problema apenas do treinador.

Pois Bem, Argel utilizava um sistema de 4-4-2 quando a equipe não tinha a posse de bola, esquema esse também utilizado por Mancini hoje. Com a posse de bola o time variava para um 4-2-3-1, onde o meia que estava ao lado do atacante recuava para armar o jogo – Hoje também acontece algo semelhante com o recuo do “meia” para armar o jogo. A ideia de Argel era boa, porém, outros conceitos atrapalhavam o desempenho da equipe, como por exemplo o fato das longas perseguições que deslocava muito os jogadores de sua posição inicial, dificultando assim o momento ofensivo, gerando um desgaste físico maior. Ou seja, no caso do meia, quando o time recuperava a posse de bola, ele teria que percorrer um longo caminho para conseguir jogar.

Dos meias contratados por Sinval Vieira, apenas Gabriel Xavier possuía características mais parecidas com o que a função pedia, pois o jogador consegue conduzir a bola em velocidade, tendo um bom giro ao receber a bola de costas para o marcador. Além do mais, o 4-2-3-1, aliada a uma proposta reativa de jogo e uma marcação com longas perseguições, só caberia um meia atuando no time titular.

Vitória de hoje

Como dito anteriormente, essa variação partindo do 4-4-2 em momento defensivo para o recuo do meia quando a equipe recupera a posse de bola, aliada a uma proposta reativa, continua a ser trabalhada no Vitória, no entanto, alguns aspectos mudaram.

Primeiro, o conceito de marcação. Hoje o Vitória mescla marcação por zona com marcação individual por setor, com isso, os jogadores visam fechar os espaços, cortar linhas de passes, o que gera um número menor de perseguições, logo, ao recuperar a posse de bola os jogadores estão mais próximos de suas posições iniciais.

Méritos de Mancini

Enquanto o técnico Alexandre Galo optava entre Neílton ou David, Mancini enxergou que era crucial manter os dois jogadores que possuem características cruciais para seu modelo de jogo. Enquanto David atua como extremo esquerdo numa segunda linha, Neílton é o segundo atacante, quando o time está sem a bola, recuando para armar com a posse de bola. Esses aspectos citados explicam um pouco da força do Vitória atuando fora de casa.


Na imagem acima o momento do contragolpe fatal rubro-negro no triunfo por 1 x 0 diante do Corinthians, em São Paulo. David carrega a bola pela esquerda e passa para Neílton, que com boa visão de jogo encontra Tréllez.

A importância de Neílton para esta função vem de suas características. O jogador consegue dominar a bola já tirando o marcador adversário do lance, imprimindo velocidade a curtas distâncias, além da boa visão de jogo para servir o companheiro melhor colocado.


Outra boa característica de Neílton é buscar o espaço vazio nas costas do volante adversário. No primeiro gol diante do Atlético Mineiro, ele e David deram uma aula de como se posicionar para servir como opção de passe, ambos realizam a diagonal no mesmo momento, formando Todos os direitos reservados ao site www.colunaecvitoria.com.br um “X” que confunde o sistema defensivo de qualquer defesa. O lance termina com gol de Neílton.


Diante do São Paulo Neílton flutuando buscando o espaço entre linhas do adversário. No entanto, a equipe paulista se preparou bem, armou um 4-1-4-1 com Petros entre as linhas, aliada a uma boa compactação, o que dificultou o jogo do Vitória.


Diante do Botafogo mais outro exemplo do contragolpe letal rubro-negro. No primeiro gol do Leão, Neílton é quem tem a bola mais atrás, enquanto isso David e Tréllez já partiram para ser opção de passe... Neílton, como um meia, enxerga e executa um belo passe para Tréllez, que acerta a trave, David aproveita o rebote e abre o placar.

Ainda no duelo contra o Botafogo, um triunfo emocionante por 3 x 2, Neílton participou de todos os gols. O segundo com uma assistência em cobrança de escanteio, em gol marcado por André Lima.


Enquanto na imagem acima o terceiro gol rubro-negro, com Neílton mais uma vez servindo um companheiro.

Conclusão 

Na ausência de um meia de ofício com características para executar tal função, Mancini encontrou em Neílton a solução para dinâmica e criação no meio campo. O jogador também passou por uma fase sombria, sendo bastante criticado pela torcida ao desperdiçar chances importantes de gols. No entanto, o momento agora é de dar moral aos atletas, e começar a enxergar todos os aspectos de jogo e o papel fundamental de cada atleta dentro de um modelo.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos

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