PAPO TÁTICO: O que fez Mancini para tornar o Vitória competitivo

O Vitória passava por uma situação bastante complicada no Campeonato Brasileiro 2017, com um time sem identidade de jogo, sem confiança e rodada após rodada na zona de rebaixamento. Parecia não ter solução, até que Mancini chegou e conseguiu arrumar algumas questões, o que trouxe de volta um desempenho aceitável e com ele, resultado positivos. Nosso Papo Tático de hoje é sobre o que fez Mancini para fazer o Vitória voltar a ser competitivo. 

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Quando Mancini assumiu o Vitória a equipe se encontrava na 19ª colocação com apenas 12 pontos conquistados em 16 partidas. A situação era mais que crítica, um rebaixamento parecia inevitável. Hoje, apesar de fora da zona de rebaixamento, o perigo está ainda muito próximo, porém, o Leão possui força para lutar, coisa que não tinha anteriormente.

Mancini chegou após a demissão de Alexandre Gallo, encontrou um time sem padrão de jogo, já que seu antecessor mudava a forma de jogar de acordo com o adversário. Em alguns jogos um time que marcou alto, tentou utilizar velocidade e dinâmica, em outros, um time lento, pesado, tentando jogar reativamente... 

A primeira decisão de Mancini em termos táticos foi definir uma estratégia de jogo, que foi marcar forte a partir do meio campo, com os dois atacantes iniciando o combate no volante adversário, e tentando explorar o contragolpe, utilizando uma rápida transição ofensiva. 

Na imagem o Vitória no 4-4-2, atacantes iniciam a marcação no volante adversário, segunda linha mais compacta, com jogadores mais próximos tendo a preocupação de fechar os espaços e não tendo como referência apenas o jogador adversário
Apesar de continuar no 4-4-2 em momento defensivo, utilizado desde a era Argel Fucks, Mancini soube utilizar as peças corretas, optando por jogadores que possuíam características para executar a função dentro de seu modelo de jogo e estratégia. 

No 4-4-2 de Argel existia um atacante e um meia de “origem” (Cleiton Xavier) na frente, ao recuperar a posse de bola, Cleiton recuava para tentar armar o jogo. Um atleta mais lento, de mais posse de bola, que não rende tanto em uma proposta mais reativa de jogo, onde existe muito campo para percorrer após a retomada da posse de bola. 

Já Mancini optou por ter um jogador de mais dinâmica por ali, no caso, Neílton. Na ideia de Mancini, o jogador que executa essa função precisa ter velocidade, boa condução de bola, saber se movimentar entre as linhas do sistema defensivo adversário buscando os espaços vazios, flutuar para o lado, e dar a possibilidade de também pisar na área para a finalização. 

Pelo lado direito Yago atua na segunda linha, um meia que não tem como arma principal a velocidade, mas gera o equilíbrio necessário para as ultrapassagens do lateral Caíque Sá, que possui como característica principal a ultrapassagem em velocidade. 

Momento Defensivo


O ponto chave da melhoria em relação ao desempenho do Vitória dentro de campo foi o sistema de marcação. Mancini me surpreende ao marcar em bloco médio, como vimos anteriormente, apesar de continuar utilizando a marcação individual por setor, passa a utilizar também aspectos da marcação por zona, ou seja, o time deixa de ter a referência apenas no movimento do jogador adversário, e passa a se preocupar em ter superioridade numérica no setor onde a bola se encontra, fechando a linha de passe, forçando o adversário ao erro. 

Na imagem acima, o Vitória postado no 4-4-2, a primeira linha atuando um pouco mais alta, por ser um jogo dentro de casa, e os jogadores se movimentando em bloco de acordo com o movimento da bola, isso gera superioridade numérica nos setores, onde a bola for, vai ter sempre jogadores do Vitória ocupando o espaço.

A Partir do momento que o time possui um sistema defensivo sólido, que não leva tantos gols com facilidade, além de um sistema que não tenha longas perseguições, deixando o jogador mais próximo possível da sua posição inicial, contribuiu muito para o momento ofensivo. 

Transição ofensiva 

A transição ofensiva se dá quando o time recupera a posse de bola. Segundo o professor Jorge Castelo, o tempo de execução da transição ofensiva deve durar no máximo 12 segundos até a finalização, caso isso não ocorra neste intervalo de tempo, a equipe entra na fase de organização ofensiva.


Esse é mais um aspecto do modelo de jogo de Vagner Mancini. Quando o Vitória rouba a bola, ele tenta atacar os espaços deixados pelo adversário (que estava arrumado para atacar), utilizando a velocidade, principalmente, de David e Neílton.

Pontos Negativos a serem corrigidos

Mancini precisa utilizar o tempo de aproximadamente duas semanas que terá sem jogos do Campeonato Brasileiro para ajustar alguns problemas que sua equipe apresenta.

É possível observar leitura de jogo equivocada dos atletas que compõe a primeira linha, principalmente Wallace, Kanu e Caíque Sá. 

Wallace abandona a linha para perseguir Jô, percorrendo um longo caminho, o que abre espaço na primeira linha para a infiltração de um outro jogador.

Kanu também persegue Jô, neste flagrante, apesar de Ramon tentar se posicionar na primeira linha para suprir a ausência do companheiro, o espaço deixado por Kanu continua lá.

Caíque Sá também precisa ler melhor o momento de abordar o adversário e rapidamente recompor a linha, melhorando seu posicionamento junto aos companheiros da primeira linha
Nas imagens acima é possível observar como a primeira linha do Vitória precisa de um pouco mais de atenção, movimentos mais coordenados, tanto no avanço para encurtar o campo de jogo do adversário, como para os lados.


Outro aspecto que pode ser melhorado é o espaço entre as duas linhas de quatro. Com as duas linhas atuando mais próximas, fica mais difícil para o time adversário encontrar espaços entre elas para receber o passe e armar o jogo.

Conclusão

Mesmo com pouco tempo para trabalhar Mancini conseguiu uma grande evolução da equipe, definindo um padrão de jogo, um esquema tático e sabendo utilizar bem as peças observando característica do atleta e função a ser exercida dentro do seu modelo de jogo.

Mancini me surpreendeu ao adotar alguns conceitos de jogo que não utilizava principalmente em sua última passagem pela Toca do Leão, muito pelo fato da situação que o time se encontra. Foi inteligente ao reconhecer que o time precisava primeiro cuidar do seus sistema defensivo, passando a utilizar a marcação em bloco médio, por zona e individual por setor, tentando evitar as longas perseguições.

Importante também evoluir em relação a propor o jogo, pois em algumas partidas, principalmente dentro de casa contra adversários do mesmo nível, será preciso uma proposta de jogo mais ousada.

Espero que a equipe continue neste processo de evolução, e que ao final do ano o objetivo de permanecer na série A seja mantido.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos

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