Papo Tático: Vitória 0 x 0 Bahia

Vitória e Bahia se enfrentaram novamente em 2017, desta vez, em jogo válido pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro.

O técnico rubro-negro Alexandre Gallo surpreendeu na escalação da equipe em vários aspectos ao entrar em campo com Fernando Miguel; Patric, Kanu, Ramon e Geferson; Farias, Yago, Cleiton Xavier, Carlos Eduardo, Kieza e André Lima.

Primeiro, pelo fato de deixar as duas peças (David e Neilton) de maior velocidade e jogada pessoal do elenco como opções no banco. Segundo, A presença do recém contratado Carlos Eduardo na equipe titular. Terceiro, o retorno de Cleiton Xavier ao time de cima atuando com Yago e Carlos Eduardo.

Não vi com bons olhos a escalação, por imaginar um time lento e previsível. No entanto, em campo a equipe se mostrou totalmente contrária ao que havia imaginado. Jogadores entenderam e executaram muito bem o que foi trabalhado durante a semana e, apesar do placar sem gols, teve uma das melhores atuações durante a competição.

Esquema Tático


O Vitória atuou no 4-1-4-1, que às vezes variava para 5-4-1. Isso pelo fato de Farias ter tido a missão de marcar individualmente o meia Régis. Em alguns momentos Farias se posicionava na primeira linha, formando o 5-4-1, às vezes estava entre as linhas, formando o 4-1-4-1. Porém, como de costume sob o comando de Gallo, as linhas quebram muito, pois a marcação é individual no setor, onde ocorrem curtas e longas perseguições, desmontando assim as linhas de defesa. Vale ressaltar que nesta partida, a marcação era mista, já que além de marcar individualmente por setor, Farias tinha a missão de perseguir Régis onde ele fosse (individual).


Na imagem, Farias faz marcação individual em Régis. Segunda linha bastante quebrada devido aos outros encaixes individuais no setor. Meias interiores do Vitória marcam volantes do Bahia.


No flagrante acima, Farias persegue Régis, mesmo que pra isso tenha que sair do seu posicionamento inicial, caracterizando assim a marcação individual...

Marcação Alta

A equipe do Bahia tem uma saída de bola sem chutão, os jogadores tricolores possuem um modelo de jogo definido, buscando iniciar as jogadas sempre pelo chão. Sabendo disso, Gallo trabalhou a marcação alta.


Na imagem acima o Vitória coloca os 10 jogadores de linha no campo ofensivo, apertando a saída de bola adversária, obtendo êxito em algumas roubadas de bola que geraram boas chances de gols, ou forçando o chutão da equipe rival.


A primeira linha atuando adiantada, o que encurtava o espaço de jogo do Bahia, por conta da lei do impedimento. Isso facilita a pressão na marcação, visando recuperar a posse de bola mais rapidamente.

Compactação ofensiva  

A equipe rubro-negra preenchia muito bem o campo ofensivo quando tinha a posse bola, muitas vezes colocando os 10 jogadores em campo ofensivo, o que gerava aproximação dos jogadores e o ganho da segunda bola, pois o adversário era forçado a dar chutão, já que tinha seu campo ofensivo tomado pelos jogadores rubro-negros.


Notem acima como o Vitória preenchia o campo ofensivo com os 10 atletas de linha... Além de conseguir ter um bom volume de jogo por conta dessa quantidade de jogadores participando do momento ofensivo, a segunda bola era do time rubro-negro na maioria das vezes.

Com a boa compactação ofensiva os jogadores do Vitória conseguiam se aproximar, gerando bastante triangulações. Do lado direito de ataque a sociedade triangular era formada por Carlos Eduardo, Yago e Patric, sempre se aproximando para buscar as jogadas ofensivas. Do lado esquerdo, Cleiton Xavier, Geferson e Kieza (depois David).


Carlos Eduardo tinha liberdade para flutuar para o centro e até o lado oposto, para criar superioridade numérica. Funcionava como elemento surpresa. A ideia é semelhante com a de Tite, onde pediu para Felipe Coutinho flutuar para o lado esquerdo, criando superioridade numérica naquele setor, em partida diante da Argentina, onde acabou saindo um gol a partir desta situação de jogo.

 
No flagrante acima, Carlos Eduardo flutuando para o centro, Patric ocupando o espaço deixado pelo meia. Movimentação que confunde o sistema defensivo adversário.

Só faltou o gol... 

Tamanha compactação ofensiva, aproximação, troca de passes rápidos e movimentação, gerou um bom volume de jogo e inúmeras chances de gols desperdiçadas pelos atacantes rubronegros. Kieza e André Lima tiveram duas chances claras (uma cada) frente a frente com o goleiro Jean, mas acabaram desperdiçando. Aliás, o goleiro rival foi o destaque em campo, com um grande número de defesas salvadoras.

Gallo tem mudado muito a forma do time jogar de uma partida para outra. Não me refiro a atletas, pois acho necessário ter um rodízio de forma organizada na equipe, por conta da sequência de jogos, além de ter um grupo homogênio, com todos os jogadores cientes do que deve ser feito. Mas sinto a necessidade de se manter uma forma de jogar, como a primeira linha avançada, a marcação alta, a compactação ofensiva, ou seja, definir um modelo de jogo visando continuar tendo boas atuações passando a conquistar resultados positivos com mais regularidade.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos   

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