PAPO TÁTICO: Passagem de Alexandre Gallo pelo Vitória

Pouco mais de um mês foi a passagem de Alexandre Gallo como treinador do Esporte Clube Vitória. Em nosso Papo Tático de hoje vamos evidenciar como foi a passagem do técnico no rubro-negro baiano.

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Pois bem, dia 03/06 era anunciado Alexandre Gallo no comando técnico do Vitória. O susto foi geral, tanto da imprensa como dos torcedores, pois Gallo era um nome que não estava sendo ventilado externamente. Ao todo foram 11 partidas com 3 triunfos, 2 empates e 6 derrotas, aproveitamento de 33,3%.

De início Gallo não mexeu muito na estrutura da equipe que atuava num 4-4-2 com a bola, variando para um 4-1-2-3/4-2-3-1 com a posse de bola, mantendo também as peças de velocidade pelos lados de campo.

A primeira diferença notada era que o treinador armava sua equipe e sua estratégia de jogo baseado no adversário. Então era comum o time ser mudado de uma partida para outra por opção técnica.

No clássico BaxVi Gallo surpreendeu a todos armando uma equipe teoricamente mais lenta, contendo no meio campo Yago, Calos Eduardo e Cleiton Xavier, porém, a estratégia de jogo consistia em marcar o rival em seu campo defensivo dificultando sua saída de bola, além de boa movimentação e troca rápida de passes no momento ofensivo, fez a equipe ter sua melhor exibição, apesar do empate sem gols. A partir daí Gallo passa a tentar manter a mesma forma de jogar, alterando apenas a proposta de jogo, em alguns reativo, em outros tentando propor.

No entanto, o treinador passa a se equivocar dentro da própria estratégia ao continuar optando pelas peças mais lentas, porém com a proposta de jogo reativa, ou seja, dando campo ao adversário para explorar o contra ataque, mas sem força e velocidade suficientes na equipe para executar tal função, foi assim contra Palmeiras e Grêmio, demonstrando estar perdido com suas ideias.

Momento Defensivo

Não quero nem imaginar como deve estar a cabeça dos jogadores do Vitória este ano após a passagem do quarto técnico (Argel, Wesley Carvalho, Petkovic, Gallo) no clube em pouco mais da metade de uma temporada.

Argel iniciou o ano com o estilo de marcação individual por setor com longas e curtas perseguições, que vinha desde 2017. Quando Argel caiu Wesley deu início ao trabalho de marcação por zona, onde a referência da marcação é a bola, visando fechar espaços. Petkovic quando assumiu deu continuidade a marcação zonal, adiantou a primeira linha de marcação, encurtando o campo de jogo para o adversário. Até ali, o problema do Vitória não era o sistema defensivo. A equipe rubro-negra, desde o início do ano, tinha dificuldades em propor o jogo.

Quando o grupo já entendia a marcação por zona e passava a aplicar muito bem em campo, tendo como ápice a partida diante do Corinthians na Arena Fonte Nova, Alexandre Gallo chega e começa a mudar novamente a forma da equipe realizar a marcação, retornando novamente para a marcação individual por setor com curtas e longas perseguições ao adversário, e chegando a utilizar a marcação individual pura no clássico BaxVi, onde Farias perseguia Régis em qualquer parte do campo.


Notem na imagem acima como os jogadores do Vitória estão preocupados em perseguir o jogador adversário.... Isso vai abrindo espaço no sistema defensivo a depender da movimentação do oponente.


O sistema de marcação virou uma bagunça. Não existia mais a montagem das linhas, eram os famosos encaixes "lateral com ponta, meia com volante" que transformou o time numa bagunça. Não a toa a equipe levou 11 gols nos três últimos jogos.

O melhor momento defensivo do Vitória sob comando de Gallo foi no clássico BaxVi. Naquela partida, mesmo escalando o time com peças mais lentas, o treinador montou uma boa estratégia, adiantando a marcação e sufocando o rival no seu campo defensivo, como na imagem abaixo.


Nos momentos em que a equipe recuava um pouco a marcação, pois ninguém consegue marcar alto os 90 minutos, a primeira linha estava posicionado mais a frente, encurtando o espaço de jogo do rival e o mantendo longe da meta de Fernando Miguel (Imagem abaixo).


Momento Ofensivo

Se existe um ponto em que podemos elogiar o trabalho de Gallo era o momento ofensivo de alguns jogos da equipe sob seu comando. Na atual temporada, ele foi o que melhor conseguiu fazer o time atacar sem medo, utilizando as vezes até os 10 jogadores de linha no campo ofensivo.


Na imagem, partida Vitória 0 x 0 Bahia, os 10 jogadores de linha ocupam o campo ofensivo, laterais apoiam ao mesmo tempo, time ocupa bem os espaços gerando aproximação e possibilidades maior de triangulações.


No flagrante acima, mais uma vez os laterais apoiando, e o meia pela direita Carlos Eduardo flutuando para o lado oposto visando criar superioridade naquele setor e surpreender a marcação adversária.

Conclusão

Como dito antes, a partida contra o Bahia foi o ápice da equipe sob o comando de Gallo, parecia que o treinador havia encontrado a fórmula do equilíbrio. Porém, as decisões equivocadas em continuar utilizando peças mais lentas para um jogo reativo acabou deixando o time lento, previsível, tendo como cúmulo a partida diante do Grêmio, onde mesmo atuando em casa o Vitória não tinha forças para levar perigo ao adversário.


Atuando num 4-4-2 diante do Grêmio o meio campo do Vitória foi formado por Renê Santos e Correia por dentro, com Cleiton Xavier e Carlos Eduardo pelos lados, Trelléz e André Lima a frente. Com uma transição ofensiva bastante lenta, o rubro-negro baiano recuperava a bola e não tinha força e velocidade suficiente para atacar.

Na imagem acima Caíque Sá possui a bola, porém suas duas únicas opções são Trelléz e André Lima isolados... Lembrando que nesta partida Gallo optou por deixar David e Neilton no banco de reservas.

No futebol atual que prioriza cada vez mais a força, como conseguir vencer alguém se abdicando de ter este requisito?

Defendo o tempo de trabalho para o treinador de futebol implantar suas ideias e estratégias, porém, Alexandre Gallo já se mostrava perdido em suas ideias, e não tinha mais condições de livrar o Vitória da situação que se encontra. Não sei se no estágio atual algum outro treinador ainda poderá ajudar, mais certo que Gallo não era essa pessoa.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos


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