Papo Tático: O que esperar do retorno de Mancini ao Vitória?

Ele está de volta. Demitido em agosto de 2016 por deixar o clube numa situação complicada no Campeonato Brasileiro, o Vitória confirmou a contratação do técnico Vagner Mancini.

Em nosso Papo Tático de hoje vamos destacar os principais aspectos do modelo de jogo adotado por Mancini, e analisar o que podemos esperar desta nova passagem do treinador no rubro-negro baiano.

Situação delicada

A situação do Vitória no Campeonato Brasileiro é bastante delicada. São 4 derrotas consecutivas, onde o clube ocupa a penúltima colocação da competição, com apenas 12 pontos conquistados em 16 rodadas.

Qualquer treinador que aceitasse esta missão estaria com um sério problema pela frente. Isso pelo fato da equipe já ter tido quatro treinadores este ano (Argel, Wesley Carvalho, Petkovic e Gallo), todos eles com suas peculiaridades e forma de trabalhar. Além disto, já estamos praticamente em agosto, difícil implantar um modelo de jogo mais elaborado, ainda mais com o pouco tempo para treinamento e a necessidade por resultados positivos.

Modelo de jogo

Momento Defensivo

O momento defensivo do Vitória é um grande problema. A equipe rubro-negra chegou a levar 11 gols em apenas três partidas sob o comando de Alexandre Gallo, possuindo a pior defesa do Brasileirão com 29 gols sofridos ao lado do lanterna Atlético-GO.

E pela lógica não é Mancini quem vai resolver essa situação, pois seu modelo de jogo nunca foi um primor em relação a sistema defensivo, inclusive foi a grande queixa para a demissão dele na Chapecoense, e fato de grande questionamento deste colunista que vos escreve durante o ano passado, onde o Vitória só não levou gol em dois jogos dentro de casa sob seu comando.

Observo que um dos fatores que fazem com que Mancini não tenha um bom aproveitamento defensivo é o fato do mesmo utilizar a marcação por encaixes individual no setor gerando curtas e longas perseguições.


Na imagem acima temos Vitória x Cruzeiro, onde observamos Cada jogador tendo como referência o adversário, e Victor Ramos abandonando a primeira linha para perseguir, abrindo espaço para infiltração adversária.


Mais um flagrante do mesmo erro....

Além disto, era constante ver o time de Mancini marcando apenas com 6 ou 7 jogadores. Um dos fatores que pode influenciar tal aspecto também é a marcação individual por setor, pois devido as longas perseguições os jogadores acabam se deslocando muito do seu posicionamento inicial, aumentando o desgaste físico e dificultando a recomposição, ou seja, prejudicando a transição defensiva. Onde muitos torcedores colocam a culpa no sistema de três atacantes, ao invés de observar qual é a verdadeira raiz do problema. 

As vezes Mancini pede para seu time adiantar a marcação. Porém, ano passado, o que chamamos de pressing, não era bem executado. Apesar dos jogadores buscarem apertar a saída de bola adversária com cada um pegando um, cortando assim as opções de passe, alguns jogadores adversários ficavam livres, e a bola continuava saindo com tranquilidade.


Na imagem acima a partida entre Vitória x Corinthians. São oito jogadores do Vitória em campo ofensivo, mas existem três jogadores do Corinthians livres para sair jogando.

Momento Ofensivo

A ideia de Vagner Mancini é trabalhar uma rápida transição ofensiva, ou seja, ao retomar a posse de bola os times de Mancini sempre tentam atacar com velocidade apostando nas peças mais velozes, tentando pegar o adversário com seu sistema defensivo ainda desarrumado. 


Costuma utilizar sistemas de jogo como o 4-2-3-1 ou 4-2-1-3, sistemas estes que possuem dois pontas verticais e um meia central.

Uma jogada que é sempre treinada por Mancini em seu momento ofensivo é tentar surpreender o adversário ao inverter a bola num passe longo buscando o ponta do lado oposto para tentar utilizar o espaço deixado daquele lado.

Outro detalhe das equipe de Mancini é a dificuldade para se iniciar a construção das jogadas. Faltam recursos para o treinador criar mecanismos de sair com uma bola limpa pelo chão. Onde a preferência dele é o chutão para o centroavante raspar de cabeça, tentado a ultrapassagem do ponta.

Em resumo, os times de Mancini não gostam de ter a bola, preferem deixa-la com o adversário para roubar e sair com velocidade. Vale destacar que, na Chapecoense, observei nos jogos assistidos uma preocupação maior de Mancini com relação ao sistema defensivo, realizando a marcação em bloco médio baixo contra adversários superiores tecnicamente, coisa que não fazia aqui no Vitória. 

Mas será que vai ser o suficiente? Só o tempo dirá! 

Por Cassio Santos/@CassioNSantos

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