ENTENDA O JOGO: Alexandre Gallo, novo técnico do Vitória


ESQUEMA TÁTICO PREFERENCIAL


Tomamos como referência, os dois últimos trabalhos de Gallo no futebol brasileiro, a frente da Ponte Preta e do Náutico. Para entender qual o modelo de jogo atual que o treinador tem utilizado. Na prancheta mostramos a sua preferência pelo 4-3-3 e suas variações. Gallo na Ponte trabalhou o 4-3-3 com dois volantes alinhados e um meia a frente, sempre com um volante pegador e outro passador, o time da macaca variava para um 4-2-3-1. No Náutico também em 2016, trabalhou 4-3-3 com três volantes alinhados ou em V, no segundo tempo se estivesse em desvantagem ele lançava dois meias em lugar dos apoiadores, e se estivesse vencendo, entrava com apenas um meia para cadenciar, que era Hugo ou Renan Oliveira. Usava muito a variação de 4-2-4 para fazer o bloqueio na circulação de bola do adversário e na construção, ferramenta utilizada também na Ponte Preta. Lembramos que em 2012 sua trinca de volantes fez sucesso no Brasileirão. Elicarlos, Souza e Martinez, o treinador adaptou o V no meio campo com um lançador e chutador o Martinez e Souza um excelente cobrador de faltas.

4-3-3 preferencial que pode variar a disposição a depender das peças

MOMENTO DEFENSIVO

Na fase defensiva do jogo, os times de Gallo não trabalham no 4-5-1 e suas variações, se observa bastante um 4-4-2, mas com as linhas quebradas, e um 4-2-4 melhor elaborado. Ele solicita muita pressão na saída de bola adversária, mas peca no distanciamento das linhas. Seu estilo de marcação tem um misto de zona e individual, existem perseguições longas e dobra da marcação, além de alguns encaixes. O momento de pressing não é muito sincronizado e deixa espaços perigosos para os adversários que superam esse ataque de pressão.

Marcação mista e linhas quebradas
TRANSIÇÃO DEFENSIVA

Alguns atletas são orientados a dar combate ao oponente já no momento que perde a bola no ataque, com os atacantes principalmente. Sua primeira linha nesse momento fica muito desgarrada da segunda linha e os atletas na recomposição precisam percorrer muito campo para compactar e voltar atrás da linha da bola. Com isso, apesar de um retorno feito com velocidade, o distanciamento entre as linhas que chamamos de compactação, acaba prejudicando a transição e ocasionando problemas defensivos.

Pressão na saída de bola com 5 atletas. Bola retomada
MOMENTO OFENSIVO

Na fase ofensiva do jogo, a mesma, que começa com a transição ofensiva, e também na construção das jogadas ainda no primeiro terço do campo, já reconhecemos sem muito esforço, que o padrão do tiro de meta dos times de Gallo é com bolas longas, e o detalhe é que essa bola volta muito rápida, não existe uma jogada combinada para ficar com a posse da segunda bola, ou empurrar os laterais na linha do segundo terço do campo para receber o chutão do goleiro. Mas nem tudo são horrores, seus times são reconhecidos por marcar muitos gols, mesmo que para isso sofra atrás. Ele gosta de atacar com liberdade, jogadores atuam em velocidade e de forma vertical, usando sempre os flancos do campo, com superioridade numérica, inversões de bola e lançamentos para os extremos. Seus laterais apoiam bastante e não jogam presos. Isso tudo ocorre a partir da metade do segundo terço do campo, dentro da área no mínimo 4 atletas chegam, aumento significativo do Vitória de Argel e PET.

Bola na diagonal médio/longa
TRANSIÇÃO OFENSIVA

A transição é feita com bolas rápidas e distanciamento médio entre atletas, a aproximação no setor da bola acontece muito para atrair marcadores, enquanto essa bola é alongada no sentido contrário, buscando outro extremo em velocidade que entra na área na diagonal. Mas aqui é onde acontece todo perigo e estoura na transição defensiva, porque a sua primeira linha de zagueiros, joga muito recuada e a compactação ofensiva fica prejudicada, assim que a bola é perdida, ocorrem os problemas frisados acima de recomposição e transição.

Dois meias bem próximos a zona da bola

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Alexandre Gallo tem apenas preferência pelo 4-3-3, mas não quer dizer que só trabalhe com esse sistema. O seu modelo de jogo, sim, esse é bem definido há anos. Não abre mão de zagueiro forte e volante marcador, meia que cadencia e seja lançador, e extremos muito rápidos, mas que finalize bem. Nos clubes que passou, já atuou no 4-4-2, 4-2-3-1, 3-6-1, etc... Esse ultimo, funcionava muito bem, era bem elaborado, mas numa época que o futebol tinha mais espaço para jogar, em 2012. Na macaca, recuperou um pouco o time no inicio de 2016 e mesmo com aproveitamento de 65%, caiu e deu lugar a Eduardo Baptista, e isso nos pareceu, uma troca pela oportunidade de crescimento que a Ponte Preta viu no novo técnico, que de fato, é superior. A Ponte tinha rendimento aceitável, mas ele pecava em utilizar Rhayner como atacante, por exemplo, pois assim utilizava o jogador em 2012, e esse atleta subiu o patamar atuando no Vitória como apoiador, além dos defeitos de saída de bola e compactação. No Náutico seu trabalho já foi bem inferior, seu time aceitava derrota, sofria gol e desligava, o time ficava muito sem a bola e a ligação direta não funcionava. Os adversários utilizam a maior posse de bola e explorava o entre linhas do Náutico pelos problemas de compactação. Fora das quatro linhas, nos bastidores, surgiu há anos atrás que o treinador tinha conluio, com empresários de futebol, e escalava muitos atletas de coligados, mas nada foi provado. Esse momento do Vitória exigia um treinador mais experiente e disciplinador, e esse colunista não teria feito tal escolha caso estivesse à frente do clube. Mas Gallo não é um treinador virgem e tem títulos como Recopa Sulamericana, Campeonato Pernambucano e Catarinense, além de títulos pessoais como melhor treinador do baianão 2009, por exemplo. Agora é torcer para Gallo apenas fazer o simples, quer é escalar o melhor que o clube tem e não inventar fazer testes novamente ou ver jogadores que outros treinadores já escalou e provou não ter condições de jogar em um nível aceitável.

É isso aí galera!

Por Adson Piedade/@AdsonPiedade

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