PAPO TÁTICO: Vitória 0 x 1 Corinthians

Mesmo com a derrota por 1 x 0 diante do Corinthians, em jogo realizado na Arena Fonte Nova, o torcedor do Vitória poderia sair do estádio com a sensação de esperança. Isso pois, a equipe rubro-negra fez sua melhor atuação no ano em termos táticos, mesmo com os desfalques de Kanu, Patric, Gabriel Xavier, Kieza e André Lima.

O Vitória conseguiu se impor dentro de casa, onde tinha o controle da posse de bola, e mantinha o Corinthians longe do gol de Fernando Miguel.

Em termos de esquema tático nada mudou. Sem a bola o time se posta num 4-4-2 em linhas, com o meia (Cleiton Xavier) iniciando a marcação ao lado do atacante (Rafaelson). Com bola o time varia para o 4-2-3-1, com o meia recuando para armar. Mas você pode está se perguntando: O que então mudou para o time jogar tão bem, já que a equipe ainda não contou com 4 jogadores? Um novo modelo de jogo e a organização tática.


Vamos destacar os aspectos do novo modelo de jogo do Vitória.

1º Marcação por zona: Observem na imagem acima o 4-4-2 (que as vezes varia para 4-2-4), a bola está se direcionando para o lado esquerdo e o time se vira para este lado e flutua, seguindo em direção ao setor onde a bola está indo, o que tende a criar superioridade numérica naquela região, induzindo o adversário ao erro.


Novamente. Vejam que a bola está do lado direito, todo o time do Vitória se deslocou para lá, atacantes bloqueiam a linha de passe dos volantes, e todo o time cria um bloqueio naquela região onde a bola está. Automaticamente o zagueiro do Corinthians vai virando o jogo para o outro lado, e todo o time rubro-negro se desloca para a esquerda. Agora a referência da marcação é a bola e não mais o jogador adversário apenas, o que gerava longas perseguições e espaços no sistema defensivo.

2º Compactação: Apesar do time continuar marcando em bloco médio (pressão se inicia a partir do meio campo, nos volantes adversários), a primeira linha subiu, compactando a equipe e diminuindo o campo de jogo para o adversário (imagem abaixo).


Observem (quadrado vermelho) a compactação do Vitória e o pequeno espaço que tem o Corinthians para jogar. Isso encurta o espaço entre as linhas, onde os jogadores adversários buscam se posicionar para receber o passe. Essa estratégia manteve o time paulista longe do gol de Fernando Miguel por muito tempo.

3º Troca de passes: Pouquíssimos foram os momentos em que o Vitória precisou dar chutão na partida (aspecto corriqueiro no modelo de jogo de Argel Fucks, mesmo que ele tenha tentado diminuir). Muitas vezes, com espaço curtíssimo, o Vitória conseguiu sair pelo chão e ligar o contragolpe. Já são os treinamentos fazendo efeito.

4º Amplitude: Com a posse de bola David e Paulinho se posicionavam bem abertos gerando o que chamamos de amplitude, visando espaçar a defesa adversária para infiltrações dos homens que atuam por dentro.

A grande dificuldade da equipe foi com a posse de bola. Apesar da calma para trocar passes, o time sentia dificuldades em criar chances claras. Muito pelo sólido sistema defensivo do Corinthians, mas também pela falta de qualidade técnica individual de alguns jogadores. Além disso, a característica dos laterais Salino e Geferson não é ofensiva, com jogada pessoal de 1 x 1, o que acabou deixando os pontas Paulinho e David, sobrecarregados.

Importante destacar o bom desempenho de Salino, que havia sido crucificado por um problema de modelo de jogo e não apenas erro individual, na partida contra o Botafogo-PB, pela Copa do Nordeste. Não estou dizendo que ele é o ideal, mas aquele episódio foi injusto para avaliar o jogador.

A atuação de hoje só veio para confirmar o que sempre venho dizendo por aqui e através do twitter. Só estávamos perdendo tempo e regredindo com argel Fucks e o seu modelo de jogo com conceitos ultrapassados. Bem possível que, se Wesley Carvalho tivesse assumido a equipe desde o início do ano (já que a desculpa da diretoria era a dificuldade para se contratar um treinador naquele momento), hoje o time estaria com um modelo de jogo bem mais sólido e com uma organização tática ainda mais eficaz. Hoje, a equipe está ainda iniciando um novo modelo de jogo já no Brasileirão, enquanto deveria ter ele definido e bem executado. Ainda existem muitos aspectos a melhorar, principalmente nas transições, mas espero que o erro do início do ano não seja crucial para um insucesso ao final do ano.

Vale destacar que Wesley Carvalho iniciou essa mudança de conceitos na equipe e o atual treinador, Petkovic, que possui conceitos semelhantes, está ratificando o que vinha sendo trabalhado e colocando sua forma de jogar na equipe.

Não tinha dúvidas que Pet também possuía boas ideias, porém, agora a diretoria precisa suprir as necessidades técnicas da equipe para ajuda-lo, ou então, tudo pode ir por água abaixo.

Por Cassio Santos@CassioNSantos


3 comentários:

  1. Realmente o melhor jogo do time no ano.
    Eu iria gostar de ver Pisculichi ao lado de Cleiton Xavier como falso nove nesse esquema é forma de jogar sendo flutuante.
    Josuel_Azulão⚫🔴💪

    ResponderExcluir
  2. Mais uma análise precisa. Parabéns Cássio.

    ResponderExcluir