PAPO TÁTICO: Bahia 1 x 1 Vitória

Bahia e Vitória voltaram a se enfrentar, desta vez, pelo primeiro jogo da final do campeonato baiano 2017.

O técnico interino do Vitória, Wesley Carvalho, teve alguns problemas para armar a equipe. Sem poder contar com Kieza, André Lima, Gabriel Xavier e Fred, Wesley escalou o Vitória com Fernando Miguel; Patric, Kanu, Alan Costa e Geferson; Farias, Correia, Euller e Paulinho; Cleiton Xavier e David.

Wesley não mudou a disposição tática que a equipe tinha com Argel. O rubro-negro marcava no 4-4-2, com Cleiton Xavier e David na frente, iniciando a marcação a partir dos volantes adversários. Com apenas um treinamento, e sem tantas opções no elenco para tentar algo diferente, seria arriscado mudar muito tão rapidamente. Com a pose de bola, Paulinho e Euller continuavam pelos lados, David e Cleiton Xavier se movimentavam por dentro, sem uma referência fixa dentro da área. Uma mudança forçada, devido os 2 centroavantes (Kieza e André Lima) estarem lesionados.

Todos esses fatores citados acima facilitaram a vida de Guto Ferreira, que já havia descoberto a fórmula para anular o rubro-negro, criando superioridade numérica principalmente pelos lados do campo, um time organizado, que balançava suas linhas para o setor onde a bola estava, uma espécie de marcação por zona, com algumas curtas perseguições. Com a bola, o tricolor mostrava muita movimentação, principalmente com seus meias Régis, Allione e Zé Rafael, além de Edgar Junior, que jogava mais adiantado, mas se movimentava bastante, dentro do 4-2-3-1.

O Vitória acabou sofrendo todo o primeiro tempo, tentando acertar a marcação, coisa que não aconteceu muito bem. Os dois pontas do Vitória deixaram muito a desejar na recomposição, o que abriu ainda mais espaço no sistema defensivo do Vitória em inúmeros momentos, muito devido a referência da marcação ter sido no jogador adversário durante toda a temporada, são estímulos que ficam empreguinados na mente dos jogadores. No momento ofensivo a equipe ficava sem poder algum, justamente pela organização do rival, que acabou isolando os pontas do Leão, principal jogada ofensiva. Semelhante ao que havia acontecido no clássico anterior.

Depois do intervalo, com o Bahia à frente do placar, após gol em cobrança de falta (e poderia ter sido mais), a equipe de Wesley Carvalho começou a entrar na partida a partir da mudança de postura do arquirrival, que abaixou suas linhas, passando a ter uma proposta de jogo mais reativa. Tal postura atraiu o Vitória para o campo ofensivo, o que acabou aproximando mais os jogadores, melhorando assim a compactação ofensiva. A partir daí, o Vitória passou a ter um volume de jogo maior e começou a criar algumas oportunidades, até empatar o jogo com Patric. Este já com muito mais liberdade a chegar à frente, pois o time já ocupava o campo ofensivo com mais força e mais gente.

No geral foi uma atuação ruim, mas dentro do normal devido todas as circunstâncias. Estava visível que os jogadores ainda sentiram o golpe da eliminação na Copa do Nordeste, além dos desfalques já citados acima, apenas um treinamento e, querendo ou não, o fator mando de campo, principalmente pelo fato da partida ter acontecido com torcida única.

No entanto, foi possível também observar pontos positivos. Estava evidente que a equipe tentou iniciar a saída de bola pelo chão, zagueiros abriam para dar opção de passe no tiro de meta. Claro, vários erros aconteceram nessa situação, mas nada que o treinamento com mecanismos criados e estimulados não resolva.


Na imagem acima é possível ver a primeira linha muito bem postada, alinhada, marcando por zona. Ou seja. a linha flutuava sempre alinhada para onde a bola estava. Ainda no flagrante o 4-4-2 do Vitória na fase defensiva, porém, notem como o time está bem compacto, com as linhas bem mais próximas... Um problema que tende a ser corrigido, na marcação por zona, Euller deveria estar mais próximo de Correia, seguindo a sua linha e não preocupado com o lateral adversário (ainda mentalidade do modelo Argel). Observem como um meia do Bahia já havia se projetado para a entre linha (os meias tricolores fizeram muito essa movimentação), espaço que deveria ter sido fechado por Euller na situação acima.



Outra imagem com a primeira linha bem postada, alinhada, e balançando para o setor onde a bola está.

Outro conceito utilizado foi a amplitude, onde foi possível ver em alguns momentos Patric pisando a linha lateral com o intuito de espaçar a primeira linha adversária. A mesma amplitude em outros momentos eram feitas pelos pontas que se posicionavam bem abertos pelos lados, ao mesmo tempo. São ideias que precisam ser trabalhadas e amadurecidas para a execução acontecer com maior naturalidade e perfeição.

Não dá para se ter uma avaliação do trabalho de Wesley com apenas um jogo, um treinamento, porém, foi possível ver alguma das boas ideias do treinador. A tendência é que com o passar do tempo, treinamento, Wesley consiga ir implementando sua filosofia de jogo, desvinculando os vícios e mentalização dos atletas ao antigo modelo de jogo, e se adaptando a uma nova forma.

Desde o início do ano, deixei claro que o Vitória teria muito mais a evoluir nas mãos de Wesley, com os conceitos e ideias de jogo utilizados por ele, do que nas mãos de Argel. Hoje o rubro-negro poderia estar em outro nível de atuação.

O foco neste momento não deve ser apenas a atuação, mas sim, principalmente, as ideias de jogo. É um novo trabalho que se inicia (mesmo sem efetivação), assim como no início do ano, porém com mais pressão por conta das necessidades urgentes por resultados positivos e um campeonato brasileiro que bate à porta.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos


Um comentário:

  1. Parabéns! Análise bem feita e compreensível para quem não entende muito, como eu. SRN!

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