Análise: Elenco do Vitória para a série A 2017

Neste domingo se inicia o campeonato brasileiro 2017 para o Vitória, e como será que o torcedor rubro-negro está se sentindo neste momento?

Sabíamos que o ano seria complicado, principalmente devido as eleições que se encerraram em dezembro e o pouco tempo que a nova gestão teria para montar um elenco a curto prazo iniciando os trabalhos após os demais clubes.

Sinval Vieira, seguindo suas ideias e forma de enxergar o futebol, apostou no início em trazer jogadores já experientes (o que não quer dizer nem sempre, velhos), reformulando quase todo o grupo que penou no Brasileirão do ano passado.

Até aí tudo bem. Porém, o problema inicial é não ter como filosofia montar um elenco baseado no modelo de jogo do treinador, ou do clube (caso exista). Enquanto Sinval ia contratando o que ele via de "melhor", o técnico Argel Fucks (que teve seu contrato renovado aquela época) recebia os atletas e pensava em como armar aquele time. Após receber no elenco jogadores com mais características técnica, Argel passou a ter um dilema: Tentar implantar seu modelo de jogo mais reativo, onde busca a defesa para depois explorar o espaço do adversário baseado em um rápida transição ofensiva, onde se precisa de jogadores com características de força e velocidade (que ele não tinha em quantidade) ou tentar se adaptar a característica do grupo num modelo mais de propor o jogo, que teria mais a posse de bola, e uma maior troca de passes. Problema era que esse modelo de jogo deveria ter vindo sendo trabalhado desde a pré-temporada, não agora durante o Brasileirão...

Vimos de tudo no modelo de Argel. Desde o time jogar reativamente contra adversários mais inferiores tecnicamente, ou enfrentando equipes mais equilibradas como o Vasco da Gama, a diminuição dos famosos chutões no início da construção das jogadas, time tentando ter mais a posse e trocar passes, como contra o Sergipe. No entanto, a equipe de Argel Fucks não conseguia fazer nada tão bem, muito por conta dos conceitos utilizados pelo treinador para que os jogadores executassem tal modelo.

Apesar de marcar com os 11 jogadores atrás da linha da bola em bloco médio baixo, o time de Argel ainda deixava muitos espaços, não sendo possível enxergar uma organização, muito menos as linhas de marcação, isso pois, o foco era a marcação por encaixes individuais no setor com longas perseguições. Tais perseguições aos jogadores adversários tiravam muito o atleta rubro-negro da posição inicial, a partir do momento que o time recuperava a bola, tal jogador estava muito distante de onde deveria estar para iniciar a jogada ofensiva ou ser uma opção de passe mais eficaz. Ou seja, além do sistema defensivo não ser um primor, o sistema ofensivo também acabava sofrendo com a falta de organização.

Pois bem, feito esse resumo, vamos adentrar ao estágio atual do clube.

Novo treinador: Petkovic

O Vitória anunciou Petkovic, que a principio viria para ser gerente de futebol, como técnico e gerente ao mesmo tempo.

Falando do Pet treinador, o mesmo mostrou no Criciúma ideias modernas de jogo, como o foco na diminuição dos espaços no momento defensivo, utilizando estilo de marcação com perseguições mais curtas, geralmente com encaixes por setor, porém com linhas mais bem definidas, compactação, além de tentar ter a posse de bola, trocar passes para se chegar ao gol adversário.

Apesar de nem cogitar Petkovic como treinador do clube neste momento, saber que o mesmo prima por tais conceitos me deixa um pouco menos preocupado com a escolha. Meu grande questionamento é como ficará a função dele como gerente e como ficará o trabalho que seria feito em torno de um planejamento profissional de futebol.

Análise do Elenco

Irei avaliar a situação do elenco rubro-negro de acordo com as posições. Fica evidente carências, e que precisam ser sanadas o quanto antes, agora que já se definiu o treinador.

Goleiros

No gol temos quatro goleiros que não passam confiança. Fernando Miguel ainda possui o histórico de lesões, fato agravante.

Zagueiros

Alan Costa e Kanu foi a dupla que mais passou tranquilidade. Fred ainda não mostrou seu melhor futebol. Um outro zagueiro com o nível acima do que se tem, seria essencial, de preferência com a característica de velocidade, recuperação.

Laterais

Na esquerda Euller e Geferson não passam confiança, apesar do destaque para a evolução de Euller. Mas é pouco para uma série A. O clube anunciou recentemente Thalysson, que conheço pouco, mas possui características interessantes. Ou empresta Euller e devolve Geferson para poder trazer mais um jogador de nível maior (caso encontre) ou mantendo estes, dificilmente virá mais alguém.

Na direita Patric é nome incontestável, só temos ele. Norberto e Salino não se pode contar. Inclusive, o primeiro está de saída. Vitória precisa urgente de mais um lateral direito.

Volantes

Aqui a situação começa a ficar mais complicada, pois, diferente das posições anteriores, onde pouco se sofre com variação tática, a partir do meio campo, saber o modelo de jogo e esquema tático a ser utilizado se faz ainda mais necessário. Se o time joga com apenas um volante no 4-1-4-1, por exemplo, não se necessita tantos volantes com características mais de desarmes no 1 x 1. Se a equipe atua no 4-2-3-1, seria interessante dois volantes com boa dinâmica, controle de bola e, pelo menos um, com características de apoio.

O Vitória possui algumas opções neste setor, porém, poucos com características de apoio, quando o time possui a posse de bola. Creio que quem mais se assemelha é o garoto Flávio, que ainda não atuou por aqui neste ano.

Meias

O clube possui três meias mais técnicos (Cleiton Xavier, Cárdenas e Pisculichi), porém, apenas o primeiro atuou em sequência, apesar de muitas críticas da parte de alguns, o segundo ainda não convenceu e Pisculichi teve seu desempenho atrapalhado por uma séria lesão. Gabriel Xavier, o outo meia, tem uma característica de condução, mais ágil, o que possibilita mais variações táticas. Traria mais um meia com essa característica, apesar de ter o talentoso, mas ainda verde, Jhemerson. Só traria um meia mais técnico se conseguisse desfazer de um dos outros três, caso fosse necessário. Porém, acredito que com um modelo de jogo mais apropriado, os meias mais técnicos também possam evoluir e desempenhar um melhor futebol.

Atacantes

Os atacantes de lado de campo do Vitória deixam a desejar. Hoje, apenas David conseguiu ter um desempenho aceitável, apesar de cometer equívocos na tomada de decisão, principalmente nas finalizações. Não renovaria com Pineda (apesar de achar que esquema e modelo de jogo o prejudicaram), e tentaria um outro atleta com mais força e velocidade. Paulinho foi a grande decepção deste setor.

Já em relação aos centroavantes, creio que Kieza e André Lima (este precisa perder uns quilinhos), podem dar conta do recado. Só traria um outro jogador para esta posição caso ele tivesse características de movimentação, que possibilitasse uma variação tática, como Rafael Marques, por exemplo.

Em resumo, caso o clube não consiga resolver essas carências, corre-se o risco de ter um campeonato brasileiro complicado novamente.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos


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