PAPO TÁTICO: Vasco 1 x 1 Vitória

O Vitória teve seu primeiro teste de fogo em 2017, diante do Vasco, em São Januário, jogo de ida da terceira fase da Copa do Brasil.

Partida propícia para Argel utilizar seu estilo, o jogo reativo. A equipe rubro-negra entrou em campo com: Fernando Miguel; Patric, Kanu, Alan Costa e Euller; Farias, José Welison, Gabriel Xavier. Cleiton Xavier e Kieza.

O técnico Argel Fucks mantém sua forma de jogar. Sem a bola o time se posta no 4-4-2, em bloco médio, onde a pressão ocorre a partir dos volantes adversários. Com a bola o time passar a jogar no 4-2-3-1, quando o meia (Cleiton Xavier) recua para armar o jogo por dentro, se alinhando aos pontas.


Na imagem acima podemos enxergar esse 4-4-2 e alguns problemas já recorrentes no trabalho de Argel no Vitória, desde o ano passado.

Como o time realiza a marcação por encaixe individual no setor, os jogadores tem como referência o jogador adversário, o que ocasiona botes em momentos inadequados e longas perseguições, gerando espaços. Enxergar as linhas postadas nesse 4-4-2 do Vitória é algo quase impossível, justamente pelo modelo de marcação.

Ainda no flagrante, observem como Gabriel Xavier subiu a marcação para tentar dar o bote, acabou levando o drible, com isso, Welison já tentou fazer a cobertura, Farias idem... No entanto, no centro do campo existe um espaço enorme, e Patric já vai abandonando o seu setor para tentar fechar, deixando a primeira linha desguarnecida.... Paulinho que deveria estar fechando aquele espaço por dentro (caso a marcação fosse por zona, onde a referência é na bola e não no jogador adversário), está na parte inferior da tela, preocupado com a subida do lateral adversário.....

Um problema crônico e que dificilmente será corrigido, justamente pelo fato da marcação ser realizada por encaixe individual.

Mesmo marcando em bloco médio, tendo seus 11 jogadores atrás da linha da bola, realizando pressão a partir do meio campo, o Vitória cedia muitos espaços, justamente pelos aspectos citados acima.


Ainda utilizando a mesma imagem, mas observando por uma perspectiva diferente, notem como o sistema de marcação do Vitória é falho. O jogador do Vasco que tem a bola possui duas opções de passe pelos lados completamente livres. As linhas amarelas mostram além das opções de passe, as opções de triangulações que existem para o desenrolar da jogada.

Com a posse de bola o Vitória criava pouco, pois não conseguia mantê-la por muito tempo, e nem conseguia ter força e velocidade para contra-atacar com rapidez, devido a falta de jogadores com essas características em campo, e o distanciamento entre os atletas, que também tem como um dos fatores a marcação por encaixe individual, já que, alguns jogadores precisam realizar longas perseguições, ficando longe de sua posição inicial ou local do campo em que deveriam estar para puxar o contra golpe.

Não podemos deixar de pontuar que, no segundo tempo, a missão ficou mais difícil por conta da expulsão de Euller na reta final da primeira etapa. Nessa situação, a marcação por zona se fazia muito mais necessária visando diminuir os espaços, coisa que não aconteceu.

Minha crítica não é pela forma reativa de jogar, acho qualquer estratégia sempre válida, se encaixada na ocasião correta. A partida contra o Vasco poderia ser uma dessas ocasiões (como acabou sendo executada). Porém, minha crítica é baseada nos aspectos do modelo de jogo, ou seja, quais conceitos o treinador utiliza e como os jogadores executam isso dentro de campo neste modelo reativo?

Como na imagem e observado durante a partida, existem falhas no modelo de jogo do Vitória, que em duelos contra adversários mais fortes ou com um jogo mais organizado, as chances de um resultado positivo serão mínimas.

É preciso saber criar uma crítica baseada no que foi a atuação e não apenas no resultado. Pois o Vitória não fez uma boa partida, baseado nos aspectos de jogo apresentados, porém, saiu de campo com um bom resultado. Mas será que o resultado virá sempre se os erros não forem ajustados? E caso o resultado tivesse sido negativo, será que a atuação do time seria considerada satisfatória?

Acreditar que Argel irá mudar algum aspecto em sua forma de jogar, eu não acredito, no entanto, mesmo com a marcação por encaixes, ela precisa ser melhor elaborada e executada.

O ponto positivo é a entrega dos jogadores em campo, que assim como na temporada passada, nunca faltou.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos

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