PAPO TÁTICO: Primeiras impressões do Vitória 2017

O Vitória fez sua primeira partida em 2017, ainda que um amistoso contra o Atlântico, o teste serviu para começar a dar ritmo e entrosamento, além da torcida poder conhecer alguns dos novos contratados.

A equipe rubro negra iniciou o jogo com: Fernando Miguel, Norberto, Fred, Alan Costa e Geferson; Willian Farias, Ullian Correia, Gabriel Xavier, Pisculichi e David; Kieza.

Podemos observar algumas ideias do técnico Argel Fucks. Primeiro, o sistema de jogo inicial quando o time possui a posse foi 4-2-3-1, com o meio de campo e ataque sendo formado por Farias e Correia na volância, Gabriel Xavier e David nos extremos, Pisculichi central e Kieza na referência. Quando a equipe não tinha a bola era possível ver o 4-4-2 com duas linhas de 4, tendo o meia (Pisculichi) dando combate ao lado do atacante, ao recuperar a posse, 4-2-3-1, Pisculichi centralizando para a linha dos meias.


O início da construção das jogadas iniciavam por Willian Farias (Imagem acima), sempre se posicionando à frente dos dois zagueiros para receber. O outro volante, Uilliam Correia, já se projetava para servir de opção de passe, função complicada de executar, pois precisa atuar de costas em muitas situações, como um meia.

Creio que uma boa opção para essa saída de bola poderia ser uma saída de três. Mas para isso, os dois zagueiros deveriam abris pelos lados, pressionando os laterais a avançarem e Farias viria receber por dentro. Já que a ideia é ter em Farias o início da construção, a saída de 3 daria maior opções de passe.


Com a bola mais à frente, Farias serve como opção de retorno. O time adversário tinha os 11 jogadores atrás da linha da bola, então era necessário rodar a pelota para encontrar os espaços, com isso, Farias tinha a função de receber a bola recuada e tentar rodar ela o mais rápido possível.

Ainda na imagem acima, Uilliam Correia novamente tendo que atuar de costas. Ponto positivo que ele se movimenta muito, não fica parado aceitando a marcação. Agora, atentem a movimentação de Pisculichi. O meia sempre busca o espaço vazio entre as linhas.


No flagrante acima, Correia retorna para ajudar Farias no início da construção, e Pisculichi já busca o espaço vazio nas costas dos volantes para ser opção de passe. Notem que devido a fragilidade do adversário o Vitória coloca quase os 10 jogadores em campo ofensivo. Porém, não conseguiu transformar isso em gols na primeira etapa.


 Outro ponto a ser destacado no modelo de jogo de Argel para a temporada 2017 é que os pontas (David e Gabriel Xavier) tem total liberdade em flutuar para o centro, já que são jogadores que também atuam por aquele setor. Ou seja, Argel tenta utilizar as características dos atletas para ter superioridade por dentro ao mesmo tempo que essa movimentação abre o corredor para o avanço dos laterais. Vejam o espaço que vai se abrindo para o apoio de Norberto... A questão é fazer a bola rodar rápido para encontrá-lo em situação de aproveitar, além, claro, da leitura de jogo e execução do atleta.

Ainda na imagem acima, Geferson deveria estar mais aberto, dando amplitude, o que forçaria o adversário a abrir espaços pelo centro. Não adianta dar liberdade para os pontas flutuarem por dentro se os laterais não dão amplitude para esticar o sistema adversário. Acaba que congestiona ainda mais o meio campo e a flutuação dos pontas não surte o efeito esperado.


Mais uma vez fica evidenciado a falta de amplitude dos laterais, que deveriam estar próximos a linha lateral. Notem como o Atlântico tem os 10 jogadores congestionando a entrada da área. Isso facilita o sistema defensivo que fica compactado, dificultando a penetração por ali. A amplitude induz o adversário a ter que ir marcar os laterais bem abertos pelos lados e, consequentemente, abre espaços por dentro. Se os laterais não sofrerem esse combate, terão espaços para apoiar pelos lados.


Co essa movimentação, principalmente de Gabriel Xavier saindo da ponta para o centro, o time ganha mais um meia por dentro e Pisculichi tem liberdade para pisar na área ou se posicionar na entrada da área, um local fatal para o meia que costuma finalizar bem daquela região do campo.

Nesse primeiro momento vou me abster de comentários individuais, prefiro focar nos aspectos perceptíveis no modelo de jogo que está sendo adotado. Uma dúvida que surge é: Sabendo que Argel é adepto do jogo reativo e direto, o fato de jogar com posse, indo pra frente, propondo o jogo é apenas pela fragilidade do adversário e dos adversários que virão no campeonato Baiano? ou será esse modelo para toda a temporada?  Pois será complicado trabalhar um modelo para o estadual e outro para o Brasileiro. Como também entendo que não é possível atuar contra os times do Estado com proposta de jogo reativa, devido a grande diferença técnica.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos

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