No Vitória, falta de jogo coletivo impacta no desempenho individual

Saudações, Nação Rubro-Negra!

Com a péssima campanha que faz o Esporte Clube Vitória no Campeonato Brasileiro 2016, os jogadores passam a ser o principal alvo das críticas vindas das arquibancadas e dos jornalistas de plantão. Observando muitos debates nas redes sociais, me senti na incumbência de levantar uma questão importante no momento de se fazer uma crítica a determinados atletas. 

O futebol moderno é mais do que nunca um esporte coletivo, e todas as ações da equipe são estudadas e treinadas (repetidas) para que no jogo as coisas aconteçam conforme o planejado. Um treinador tem - ou deveria ter - sua forma de jogar (modelo de jogo) definida para cada momento da partida. quando o time tem a bola como deve se comportar; ao perder a bola, se pressiona rápido ou recompõe; construção do jogo; ataque apoiado ou vertical... São inúmeras as situações trabalhadas no dia a dia, para que cada peça saiba o que fazer em campo, no intuito do jogo coletivo fluir com maior naturalidade e eficácia. Até para deixar o jogador habilidoso em situação de poder executar a jogada individual, existem mecanismos que são estudados e trabalhados para que aconteça na partida. Ou seja, nada acontece por acaso dentro das quatro linhas. 

Dito isso, voltemos a falar do Vitória. Vejo muitas críticas ao desempenho individual de alguns jogadores como Cárdenas e Kieza, mais especificamente. Não entrarei nos méritos em relação a falta de vontade ou brigas internas, pois não passaria de conjecturas, e prefiro focar no que vejo dentro de campo. Também não tenho a intenção de mudar a opinião dos nossos leitores, apenas levantar uma questão que deve ser levada em consideração. 

O modelo de jogo adotado pelo técnico Vagner Mancini e trabalhado durante todo o 2016, tinha como uma das características o ataque vertical, com poucos toques na bola, tentando chegar ao gol adversário o mais rápido possível. Para executar este estilo, você precisa ter jogadores com características para tal. A equipe rubro-negra não era treinada para ter a posse de bola, atacar com passes curtos, com aproximação, o que pode ser chamado de ataque apoiado, sempre contando com o apoio dos companheiros próximos e em conjunto ganhando território para chegar ao gol adversário. 

Pois bem. A diretoria do Vitória contratou Cárdenas para ser o cérebro pensante do time, e fazer a bola chegar ao isolado Kieza, que era unânime o fato do mesmo ser pouco municiado no ataque. Quando soubemos da contratação de Cárdenas - nós que damos uma ênfase maior as questões táticas - discutimos sobre a possibilidade do colombiano não se adaptar a forma distante e de correria que jogava o Vitória, coisa que pode estar acontecendo.

Existem jogadores, que por características, se adaptam com mais facilidade ao jogo apoiado, onde os companheiros estão próximos, gerando triangulações e opções de passe a todo instante. Geralmente são atletas com bom passe, visão de jogo, mas pouca velocidade para conduzir. Douglas (Grêmio), Renato Cajá (Bahia), o próprio Cárdenas.

Outros possuem características de condução, drible, e consegue se encaixar melhor neste modelo mais direto de jogo. Leandro Domingues no auge tinha essa característica, Kaká (ex- Seleção Brasileira)....

No Vitória de hoje, dois jogadores conseguem ter destaque positivo. Marinho que tem como pontos principais a velocidade, força, drible assim como Willian Farias, um monstro no 1x1. Ou seja, suas características individuais fazem com quê eles se adaptem fácil a esse estilo de jogo. 

Agora, será que Marinho teria o mesmo rendimento em uma equipe com ataque apoiado, de aproximação, toque curto, tendo que usar a velocidade no momento certo? No mínimo, sentiria alguma dificuldade para se adaptar.

Kieza é outro que ao meu ver, sente a dificuldade de jogar individualmente, principalmente quando atua distante da área, função que vem sendo exercida há alguns jogos. Kieza não tem força para atuar tão distante do gol, tendo que recompor uma segunda linha e atacar com drible, velocidade e jogada individual. Totalmente diferente quando ele recebia a bola no último terço do campo e precisava ganhar de um zagueiro para definir. Os gols diante de Atlético-MG, Grêmio, Corinthians... mostram que perto das redes adversárias ele é mais útil, e pode definir um jogo nessa situação, e tê-lo colocado na ponta, só o fez perder a confiança e diminuir ainda mais seu rendimento, que estava sendo bom nos primeiros jogos da competição, mesmo com toda dificuldade coletiva da equipe. 

Situação de jogo


Um exemplo da falta de aproximação para jogar. Cárdenas tem a bola marcado por dois adversários, mas ninguém se projeta no espaço vazio para uma tabela, receber o passe e devolver. Existem duas opções de retorno (Welison e Farias) que acarretaria num passe para trás. Diego Renan seria outra opção, um pouco mais longe, pelo centro, mas não se movimenta para pedir a bola. A opção de Cárdenas é jogar a bola na área, mesmo de longe. 

Quando achou opção por perto, Cárdenas rapidamente soltou a bola, tentando fazer o jogo fluir. Essa é sua característica, como na situação abaixo:



Conclusão

Caro leitor, espero que o texto sirva para trazer a reflexão todos os fatos possíveis para concluir um pensamento sobre determinado jogador. Não estou eximindo o atleta de seus erros dentro de campo, mas não podemos fechar os olhos para fatores que contribuem para o desempenho, seja ele bom ou ruim. 

Por Cassio Santos/@CassioNSantos

0 comentários:

Postar um comentário