Demissão de Mancini e futuro do Vitória


Depois do revés diante do Flamengo no Barradão, o técnico Vagner Mancini, enfim, foi demitido do Esporte Clube Vitória.

Durante as análises realizadas em nosso Papo Tático, passei a cobrar a saída de Mancini (há um mês atrás), por estar convicto que o mesmo não poderia mais ajudar o Vitória. Apesar de não ser adepto do imediatismo, o rendimento da equipe e a falta de repertório de Mancini em seu modelo de jogo engessado, me deu argumentos suficientes para uma demissão. Pena que no clube, quem tem a caneta e o papel na mão não consegue enxergar futebol da maneira que deveria ser. 

Modelo de jogo

Mancini chegou ao Vitória em 2015, quando pegou o Vitória no G4 da série B, após o auxiliar do clube, Wesley Carvalho ter iniciado um trabalho substituindo o péssimo Claudinei Oliveira. Wesley adotou o 4-1-4-1 (sem bola) variando para o 4-1-2-3, utilizando alguns conceitos modernos como a marcação zonal e o pressing (marcação intensa no campo adversário para recuperar a posse de bola rapidamente) principalmente nos jogos dentro de casa. Vagner Mancini chegou e deu prosseguimento ao que vinha sendo feito, sem muita mudança no modelo de jogo, sendo seu maior trunfo a descoberta de Rhayner como meio campista. O time continuou a competição sem demonstrar evolução, principalmente quando tinha a posse de bola.

Por ter conseguido fazer o Vitória mudar da água para o vinho naquela temporada, já defendia a permanência de Wesley Carvalho no comando técnico. 

Pois bem, depois de levar os méritos pelo acesso, em 2016 Mancini pôde dar sua cara e trabalhar seu modelo. Marcação por encaixe individual no setor, uso excessivo da bola longa no início da construção das jogadas, pouca posse de bola visando os toques mais verticais para chegar ao gol. O sistema de marcação foi seu pior problema (o time rubro-negro só não levou gol atuando dentro de casa em dois jogos, o que demonstra a facilidade que os adversários tinham para chegar à meta do Leão).

Não que o modelo de jogo adotado por Mancini seja melhor ou pior (apesar das minhas preferências pessoais), mas o fato é que ele não deu certo. Porém, o comandante parece ser aquele instrumentista de uma nota só. Durante todo esse tempo foi tentado atuar com 3 zagueiros, 3 volantes... Mas o seu modelo de jogo citado acima (que não necessariamente é o esquema tático) não mudou. O Vitória continuava com sua marcação por encaixe que não funcionava com efetividade, bolas longas, além de sua leitura e interferências equivocadas durante as partidas.

Mancini me passou não ter conhecimento suficiente para mudar a maneira de jogar da equipe e acabou demitido abraçado com seu modelo de jogo que já o acompanha há alguns anos. 

Infelizmente, não sei se tirar um ano sabático resolveria para ele, pois Mancini já foi à Europa e insiste em dizer que não viu nada de novo por lá. Será soberba, falta de humildade ou o quê?

Futuro

Mancini deixa o Vitória numa situação complicada e de difícil resolução. São 26 pontos somados em 24 rodadas. Para se livrar de um rebaixamento o rubro-negro precisa somar, provavelmente, mais 19 pontos (seis triunfos e um empate). Com Vagner Mancini no comando, na minha visão, o rebaixamento era inevitável. 

Com a demissão do mesmo, uma luz no fim do túnel se ascendeu (mas a diretoria já está fazendo questão de apagá-la novamente). 

A luz se ascendeu pois existe no clube um profissional competente, estudioso, que busca utilizar conceitos modernos de acordo com a evolução do futebol, chamado Wesley Carvalho. 

Antes que perguntem, não tenho procuração para defendê-lo, não o conheço, nem tenho nenhum tipo de ligação. Defendo sua permanência no comando da equipe pelo que já mostrou dentro de campo e pela forma de trabalhar no dia a dia, coisa que busquei me informar. Outro ponto positivo é que ele já conhece cada jogador do elenco, e tem em mente o que deve fazer para tornar a equipe mais competitiva. 

A luz do túnel começa a se apagar novamente quando as notícias são de que o clube está praticamente acertado com Argel Fucks. 

Argel possui uma maneira de enxergar o futebol diferente da minha, por exemplo. Técnico que prioriza a marcação muito forte, mas com poucos mecanismos ofensivos. Tentando encontrar algum lado positivo na possível contratação dele, vejo que realmente o Vitória precisa ajustar seu sistema defensivo e ter jogadores rápidos como Marinho e Kieza poderá facilitar uma transição ofensiva rápida como arma. Se vai resolver só o tempo dirá, mas Argel não seria minha escolha. 

O elenco do Vitória demorou a ser montado, ainda assim com carências, mas a situação não é diferente em relação a vários times da série A que se encontram em situação muito melhor, como são os casos de Ponte Preta, Chapecoense, Atlético-PR, Botafogo...

Por falar em Botafogo, com a saída de Ricardo Gomes, o auxiliar do clube, Jair Ventura, assumiu o comando da equipe, que já está na 8ª colocação, escapando da briga pelo rebaixamento, antes dado como certo. 

Não quero dizer que isso sempre acontecerá, porém, se existe um profissional no clube com competência para resolver o problema, isso deve ser feito. O discurso de que não é o momento para Wesley assumir é muito bonito, porém, nenhum presidente vai iniciar o projeto com o auxiliar. Pelo contexto atual, vejo que o Vitória precisa mais da ajuda de Wesley neste momento, do que o contrário, por isso defendo sua efetivação. 

Por Cassio Santos/@CassioNSantos

Um comentário:

  1. Excelente texto ! Concordo plenamente que Wesley deveria ter sido efetivado, mas infelizmente nossa diretoria amadora nos deu nova rasteira. Vamos ver agora como o time irá se comportar.

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