PAPO TÁTICO: Vitória 2 x 3 Santos

Vitória e Santos se enfrentaram neste domingo (24), no Barradão, em jogo válido pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro 2016.

E mais uma vez o Vitória é penalizado por problemas recorrentes do modelo de jogo adotado pelo técnico Vagner Mancini. Ressalto que, o torcedor precisa perceber algumas situações de jogo, antes de direcionar suas críticas. Os zagueiros vem sendo duramente criticados, porém, o erro inicial não são deles. O sistema defensivo da equipe como um todo é falho, principalmente pela marcação por encaixes adotada pelo seu treinador. Já mostramos e mostraremos novamente que o problema de marcação do Vitória se incia com os homens de frente, o que gera um desequilíbrio em todo o sistema, deixando a primeira linha sempre exposta. Desse modo, não tem zagueiro que suporte. E olhe, não estou eximindo os jogadores de seu erros individuais. Eles acontecem sim, mas vejo que acontecem mais pelo excesso de exposição.

Vamos ao jogo. Primeiro, não dá para encarar uma equipe como o Santos (superior tática e tecnicamente) cedendo tanto espaço como o Vitória fez. Até que, no início do jogo, a equipe rubro-negra se portou bem, adiantando sua marcação e tentando sufocar o peixe para aquela pressão dos 15 minutos iniciais. Mas logo o Santos conseguiu responder se aproveitando da lentidão na transição defensiva do Vitória, com Ricardo Oliveira perdendo um gol de cara com Caíque.


Na imagem acima podemos observar o Santos num 4-4-2 que variava para 4-4-1-1 sem a posse de bola. Organização defensiva, compactação, marcação zonal, e com os 11 jogadores atrás da linha da bola, negando espaços ao adversário. É isso que cobramos do Vitória. E percebam que jogar assim não é sinônimo de retranca, pois a equipe santista é bastante ofensiva, sabendo equilibrar também o momento defensivo com sua organização.


Agora observem no flagrante acima o sistema de marcação do Vitória. São sete jogadores atrás da linha da bola contra 7 jogadores do Santos atacando. Ou seja, não existe superioridade numérica. Copete (pela esquerda) e V. Ferraz (pela direita) dão amplitude, atraindo a marcação e abrindo espaço na defesa do Vitória (já tem um jogador pelo centro buscando infiltração neste espaço). Dagoberto lá em cima não recompõe para dar suporte a Euller, o que compactaria mais a primeira linha e tiraria esse espaço por dentro... Marcar a boa equipe do Santos desta maneira, é óbvio que você vai levar gol.

Em campeonato de pontos corridos é de suma importância manter uma regularidade e, para isso, é essencial ter um bom sistema defensivo. A fala de Mancini em preferir ganhar de 4x3 do que de 1x0 é lindo de se ouvir, mas na prática é complicado.

O Vitória tentou abrir o placar nos minutos iniciais, não conseguiu, e acabou levando por ter um sistema defensivo tão vulnerável. As jogadas ofensivas rubro-negras se resumem, na maioria das vezes, a bolas alçadas na área, e foi assim que o time conseguiu o empate com Kanu. Não demorou muito e o Santos voltou à frente do placar, numa desatenção rubro-negra e um erro da arbitragem em não mandar voltar a cobrança da falta (a mesma só deveria acontecer após o apito, pois foi dado cartão amarelo para José Welison).

Precisando novamente empatar a partida (coisa costumeira), o Vitória jogou a maior parte do segundo tempo em campo ofensivo, enquanto o Santos relaxou com a vantagem. Mas o repertório de jogadas ofensivas é escasso, e as bolas aéreas continuavam sendo o único recurso. O empate até veio, com Vander, porém, mais uma vez, a equipe baiana cede o gol ao adversário em erros bobos, desta feita, dando início com uma inversão de bola mal feita e desnecessária de Euller.

Mancini precisa repensar seu modelo de jogo. O discurso em entrevistas recentes é de conceitos modernos, mas na prática não é o que vemos.


Por Cassio Santos/@CassioNSantos



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