PAPO TÁTICO: Figueirense 1 x 0 Vitória

Depois da derrota para o Santos em pleno Barradão, o técnico do Vitória, Vagner Mancini, teve uma semana para preparar sua equipe visando o duelo diante do Figueirense, no Orlando Scarpelli.

Há semana de treinos não pareceu ter surtido efeito, pois em campo o time rubro-negro não demonstrou nada de novo, muito menos a compactação que foi citada pelo próprio treinador durante entrevistas.

Mancini não pôde contar com o meia Cárdenas, com isso, Serginho assumiu a titularidade mais uma vez, enquanto Ramon atuou entre as linhas do 4-1-4-1.


Na imagem o 4-1-4-1 do Vitória. Ramon posicionado entre as linhas com a clara função de perseguir o meia Carlos Alberto, um conceito meio fora de moda, se assim podemos dizer.

Mancini utiliza a marcação por encaixe individual no setor e, as vezes, individual, como nesta situação, pois Ramon abandonava diversas vezes o seu setor para perseguir o meia adversário. Carlos Alberto é inteligente e, assim como no momento do gol, recuava muito para buscar o jogo, o que deixava Ramon perdido, sem saber se abandonava o seu setor ou se pedia para um companheiro marcar Carlos Alberto. Isso se dá pois a referência da marcação utilizada por Vagner Mancini é no jogador e não na bola, como seria em caso de marcação por zona. Na marcação zonal, a preocupação é sempre com a bola, em criar superioridade numérica no setor em que a bola está, independente de quem seja o adversário.

A utilização de Ramon entre as linhas prejudicou o Vitória também em outros quesitos.


Posicionado na segunda linha, Farias tinha que aparecer como opção de jogo na frente quando a equipe tinha a posse, o que acontecia com Amaral. Enquanto isso, Ramon servia como opção de retorno, tendo que receber a bola recuada para realizar as inversões, coisa que Farias faz bem. Ou seja, você acaba tendo dois jogadores realizando duas funções nas quais não possuem características para tal, por conta da realização de uma marcação individual no meia adversário. Uma ideia muito ultrapassada utilizada por Mancini.


Acima mais um flagrante do posicionamento de Farias. Neste momento, ainda mais avançado que Serginho, sendo opção para receber o passe e ter que jogar de costas para a marcação.... Isso compromete o rendimento do jogador mais regular da equipe, que sempre atuou como 1º homem, sendo opção de retorno e jogando de frente.

Sobre o jogo

O Figueirense é bastante limitado ofensivamente e, por isso, o Vitória conseguia ser um pouco melhor na partida, mesmo não tendo uma equipe compactada ou tão organizada em campo. Porém, bastou um minuto de desatenção para Carlos Alberto deixar Dodô na cara do gol para balançar as redes.


Na imagem acima é possível observar o momento exato do passe de Carlos Alberto. Apesar de cercado por dois adversários, o meia não sofre pressão, tendo boa visão da movimentação à sua frente. Ramon perdido, não sabe se guarda o seu setor mais atrás ou se sai em combate da sua referência (Carlos Alberto). Euller parte atrasado, enquanto a primeira linha praticamente não existe, pois está espaçada e quebrada, ou seja, não existe alinhamento, dificultando uma movimentação para deixar o ataque adversário em impedimento. A referência no adversário e não na bola mais uma vez prejudica.

Mesmo com a expulsão de Rafael Moura no decorrer da partida não foi suficiente para o rubro-negro empatar o jogo. O Figueirense se compactou com duas linhas de quatro, negando espaços, e segurou o resultado. Enquanto o Vitória sofria para encontrar alguma brecha. Faltava rodar a bola de um lado para o outro com mais velocidade, além de aproximação, ultrapassagens e tabelas para tentar cansar e enganar o sistema de marcação.

Mais uma vez, a fragilidade no sistema de marcação dificulta a vida do Vitória. Sem um sistema sólido, levando gols em todos os jogos, fica difícil ter regularidade, Iniciar as partidas sempre atrás do placar é complicado.

Não gosto de pedir cabeça de treinador no meio da temporada, mas Mancini não faz por onde defender sua permanência.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos

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