PAPO TÁTICO: Cruzeiro 2 x 2 Vitória

O torcedor do Vitória tem motivos para ter orgulho do seu time. O empate em 2 x 2 com o Cruzeiro no Mineirão é um bom resultado para qualquer equipe, mas da forma que foi, acabou elevando ainda mais a conquista. Porém, o que mais me agradou foi a postura de ter jogado melhor que o adversário, agredindo-o e criando chances para sair na frente do placar.

Mancini contou com os retornos de Marinho e Kieza, o que aumenta o poder ofensivo. Armado no 5-4-1/5-2-3 (sem a posse), variando para o 3-4-3 com a posse, o Vitória complicou a vida do Cruzeiro, no entanto, os erros no sistema de marcação voltaram a acontecer.


Na imagem a segunda linha do 5-4-1 do Vitória (Marinho e Dagoberto mudam algumas vezes de lado, mas a predominância é Marinho na direita e Dagoberto na esquerda). Um grande erro do rubro-negro é não pressionar o portador da bola, logo, o adversário tem tempo para visualizar e executar a jogada.


Como bem demonstra o mapa de calor, o Vitória utilizou muito os lados do campo para pressionar o Cruzeiro, principalmente a direita com o apoio de Marinho. Notem na imagem que o time conseguiu ter profundidade (mancha forte na linha de fundo) pelo lado direito, porém, Marinho não utiliza bem a perna direita. Diego Renan chegou até mais nesta partida (o que cobro bastante) aproveitando o espaço que Marinho abria por ali.

O Vitória foi superior e desperdiçou algumas oportunidades para abrir o placar e, na série A, esse é um erro grave. A equipe rubro-negra foi castigada depois de um erro coletivo e individuais, como analisei no vídeo abaixo:



Após a expulsão de Ramon e posteriormente o segundo gol sofrido, a equipe comandada pelo técnico Vagner Mancini viveu seu pior momento no jogo, pois o time Celeste cresceu e aproveitava a desorganização do desorientado Vitória.

Mancini optou pela saída de Dagoberto e entrada de Tiago Real para tentar reorganizar seu time.


Os dois gols marcados pelo Vitória mesmo com um jogador a menos não foi ao acaso. Por incrível que pareça, o time passou a marcar melhor. Isso pois, a equipe se organizou no 4-4-1, com duas linhas, utilizando mais a marcação por zona do que os encaixes individuais, visando diminuir os espaços. Defendendo melhor foi possível voltar para o jogo e passar a aproveitar os espaços deixado pelo adversário ao subir para o ataque.

Após o gol de Diego Renan em cobrança de pênalti sofrido por Marinho, Mancini promove a entrada de Vander no lugar de Amaral para tentar aproveitar melhor os momentos ofensivos. A equipe ficou desenhada da seguinte maneira: Marinho (extrema direita), Farias e Real (interiores) com Vander na esquerda e Kieza à frente.

O gol de empate surge novamente pela direita e novamente com ele, Marinho, que infernizou o sistema defensivo do seu ex-clube, desta vez, realizou um cruzamento, Vander aproveitou o rebote da zaga e balançou as redes. Por fim, Kieza ainda desperdiçou uma ótima oportunidade de virar o placar na reta final da partida.

 Erro no sistema de marcação:


Quando os pontas do Vitória (Marinho e Dagoberto) cochilam na recomposição, o resultado pode ser fatal como no primeiro gol. É preciso fechar o espaço antes do adversário receber a bola. Vejam no flagrante acima como Dagoberto não recompõe a segunda linha. Na sequência do lance, o mesmo só recua quando o lateral recebe a bola. Em algumas situações, os pontas do Vitória avançavam para tentar uma marcação mais adiantada, e apenas Amaral e Farias ficavam na segunda linha. Sem a pressão necessária na frente para quebrar o passe, o Vitória acaba com inferioridade numérica no meio, e o Cruzeiro aproveitou bastante esses espaços, principalmente pelo seu lado esquerdo com Arrascaeta e com a movimentação de Elber e Riascos, como mostra o mapa de calor da equipe Celeste:


Ou seja, o Cruzeiro tirou a criação do centro utilizando os lados (principalmente o esquerdo de ataque nas costas de Marinho).

Ponto Positivo



O Vitória usou bem a amplitude. Vejam como existe um jogador rubro-negro na parte superior da imagem, quase em cima da linha lateral, enquanto Diego Renan aproveita o espaço do lado oposto... Por dentro, dois atacantes estão prontos para a infiltração.

Falando mais especificamente de Diego Renan, ele precisa aproveitar esse corredor, pois é de suma importância a equipe conseguir utilizar os espaços pelos dois lados do campo.

Conclusão

A equipe rubro-negra merece ser aplaudida. Jogou de igual pra igual, sendo superior na maioria do tempo, contra um adversário forte. Só prova mais uma vez que com reforços o time poderia fazer uma série A tranquila, pena que a diretoria não pensa assim, e vê um elenco melhor do que o real.

Por Cassio Santos@CassioNSantos

2 comentários:

  1. Excelente análise. Fica claro que a culpa não é da zaga mas sim das falhas na recomposição. O futebol moderno é pautado na diminuição dos espaços. O Vitória ainda falha muito nesse fundamento.

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