PAPO TÁTICO: Cruzeiro 2 x 1 Vitória

Vitória e Cruzeiro deram fim a uma trilogia na última quarta-feira (20) em partida realizada no Mineirão. Infelizmente, o final não foi dos melhores para o rubro-negro baiano. Depois do empate heroico em 2 x 2 no mesmo Mineirão pelo primeiro turno do Brasileirão, o Vitória acabou perdendo no Barradão por 2 x 1 no jogo de ida da Copa do Brasil e perdeu pelo mesmo placar a volta em Minas Gerais, sendo eliminado da competição. 

Tem sido mais comum, em nosso Papo Tático, as críticas ao trabalho de Mancini por conta da falta de organização da equipe. Após uma boa partida contra o Atlético-PR (mesmo sem tanta organização), novamente uma atuação ruim. Lembram que destaquei em nosso último texto a falta de um pouco agilidade e até individualismo para o time do CAP (apesar da boa organização defensiva)? Pois bem, o Cruzeiro teve organização defensiva e tinha jogadores para decidir na frente. O placar de 2 x 1 acabou saindo até barato.

Bom. O Vitória precisava reverter uma vantagem considerável, pois para avançar na Copa do Brasil deveria vencer por dois gols de diferença, sendo que um 2 x 1 levaria a decisão para os pênaltis. Porém, você não pode querer conquistar esse resultado de qualquer maneira. E foi isso que Mancini fez. 

Me causou estranheza o fato do treinador rubro-negro dar uma entrevista antes da partida afirmando que esperou a escalação do Cruzeiro sair para definir se entraria com 3 zagueiros ou com mais um atacante. Ora, não seria melhor ter um plano de jogo definido? Definir o time no vestiário, principalmente quando a dúvida é entre jogar com 3 zagueiros ou mais um atacante são modos diferentes de se atuar. Isso só comprova que o Vitória foi a Minas Gerais sem uma estratégia. 

Depois da escalação do Cruzeiro, Mancini optou por atuar com 4 atacantes. O que não necessariamente queria dizer que os 4 teriam funções de atacante, mas tiveram. 


Na imagem, Vander e Marinho pelas pontas, com Kieza e Dagoberto por dentro. No meio campo, apenas Marcelo e Farias. 

Sem a posse de bola uma variação de 4-4-2/4-4-1-1, com os pontas recuando e Dagoberto ora indo tentar apertar a saída de bola junto a Kieza (4-4-2) ou a frente da segunda linha (4-4-1-1).  No entanto, em campo não era nada arrumadinho como descrevi. 

A marcação por encaixe individual do Vitória deixa espaços e não cria superioridade numérica nos setores. O fato de atuar com 4 atacantes em momento ofensivo dificultava as transições (principalmente a defensiva). Ou seja, quando o time perdia a bola, a recomposição era lenta e praticamente ineficaz, deixando o Cruzeiro  com total liberdade para chegar ao gol.


O Vitória marca mal, marca errado, corre errado.... No flagrante acima, observem a organização do Cruzeiro na saída de bola. Jogadores próximos, formando triângulos, dando opções de passe. Isso proporciona uma construção de jogada tranquila, com passes curtos (O Vitória tem isso?). Notem ainda a forma equivocada de marcação. Dagoberto  e Kieza vão marcar o mesmo adversário, três jogadores do Cruzeiro soltos no meio.... Essa "marcação" não funcionaria nem aqui nem na China.


Existe um conceito no futebol chamado Pressing, que visa ocupar racionalmente todos os espaços próximos a bola, reduzindo as linhas de passes do adversário, o que dificultará a saída de bola e, consequentemente, forçando-o a uma tentativa de passe mais longo, com enorme grau de dificuldade, até pelo fato do portador da bola também sofre pressão. Na imagem acima (a mesma anterior), os círculos vermelhos representam onde os jogadores do Vitória deveriam estar para realizar o pressing. Mancini que é um adepto da marcação individual, poderia treinar sua equipe para praticar este conceito, que seria muito eficaz. 


Transição defensiva. Na imagem acima, três jogadores (provavelmente quatro com Kieza) após a linha da bola. Isso deixa seu sistema defensivo completamente vulnerável...

Pelo lado do Cruzeiro, Paulo Bento já sabia que o Vitória utiliza sempre as pontas (principalmente com Marinho) para suas jogadas ofensivas e, desde a partida no Barradão, já tinha anulado isso, criando superioridade numérica por ali, Isso devido a marcação zonal, com foco na bola e não nos jogadores adversários. 


Rafael Sóbis ajudou muito fechando o espaço no setor esquerdo defensivo junto ao lateral. No flagrante acima, Marinho sozinho contra três adversários. Essa cena se repetiu por diversas vezes.

Mais uma vez, mostramos ao nosso leitor alguns dos problemas no modelo de jogo do técnico Vagner Mancini. Uma equipe que atua desta forma, não consegue ter equilíbrio entre defesa e ataque. A falta de equilíbrio não traz regularidade. Por isso tanta oscilação nas atuações e resultados. 

Por Cassio Santos/@CassioNSantos


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