PAPO TÁTICO: Vitória 3 x 2 Sport

Descrente! Essa é a palavra que simbolizava o sentimento do torcedor rubro-negro para a partida diante do Sport, no Barradão, já que o Vitória não poderia contar com suas duas principais peças Marinho e Kieza, além do time não ter conseguido mostrar regularidade durante a competição.

O triunfo por 3 x 2 trouxe alívio por somar mais três pontos, porém, o sinal de alerta e a necessidade de contratações continuam evidentes.

Entrando no quesito tática, o técnico Vagner Mancini optou por voltar a utilizar o esquema com três zagueiros, que havia dado certo contra o Grêmio no Rio Grande do Sul, porém, nada de 3-5-2 como é de praxe se escutar.


O esquema de jogo com maior predominância foi o 3-4-3, muito usado no momento ofensivo, onde o time tinha a posse de bola e precisava atacar o adversário. Na imagem é possível observar Dagoberto atuando como referência, mas com liberdade para se movimentar. Sem tantas obrigações defensivas, foi possível vê-lo participando mais.

Mancini optou por utilizar T. Real na ponta esquerda (as vezes invertia com Vander), mas o jogador pouco produz, principalmente atuando nesta função.


Sem a posse de bola, ficava muito evidente a primeira linha composta por cinco jogadores, os três zagueiros Kanu, Ramon e Victor Ramos, com os dois lateais ou alas Diego Renan e Euller. Mais à frente Farias e Amaral, com Vander, Tiago Real e Dagoberto no ataque, formando uma espécie de 5-2-3, porém, como a marcação do Vitória acontece por encaixe individual (linhas vermelhas), com a movimentação dos atletas adversários isso mudava e muitas vezes virava uma bagunça.

O rubro-negro baiano começou bem, criando chances de abrir o placar, no entanto, o Sport balançou as redes primeiro com Matheus Ferraz após mais um cochilo do sistema defensivo do Vitória, que já soma 18 gols sofridos em 12 jogos.


No flagrante acima, Victor Ramos vê Matheus Ferraz em seu postado, mas opta pela linha de impedimento, porém, sai atrasado, enquanto Farias na parte superior também daria condições de jogo para o zagueiro adversário. Faltou ainda a pressão no portador da bola, para dificultar a visão de jogo e o lançamento.

A reação do Vitória começa de verdade aos 23 minutos quando Everton Felipe foi expulso. Com um a mais em campo e precisando virar a partida, Mancini tinha que fazer alguma coisa, naquele momento, mais do que nunca, não poderia ficar com três zagueiros e dois volantes marcadores em campo. Varias eram as possibilidades, colocar um centroavante, um meia.... Mancini optou pela saída de Amaral (como pedi através do twitter no momento da expulsão) e a entrada de Nickson. 

Amaral estava atuando numa faixa crucial do campo e, por diversas vezes, tinha a possibilidade de finalizar ou dar o último passe, mas não o fazia com perfeição por não ter características para tal, por isso meu raciocínio foi por sua saída. Mancini pensou semelhante e colocou Nickson para dar essa visão de jogo, fazer a bola rodar para os lados.


Com um jogador a menos, o Sport tentou se fechar no 4-4-1, apenas com Diego Souza à frente das duas linhas. Por outro lado, o Vitória buscava dar amplitude com Tiago Real e Diego Renan, visando espaçar a defesa adversária para uma bola por dentro (como a imagem mostra o espaço que Vander tinha para a diagonal), ou uma bola alçada na área.

Quando o adversário está compactado em seu sistema defensivo, uma das alternativas é dar amplitude e fazer a bola correr de um lado para o outro, visando encontrar o espaço. O Vitória voltou a utilizar esses conceitos, com ultrapassagens, movimentação.... Isso se deu muito pela boa fase que vive Euller, que conseguiu ser uma ótima opção pela esquerda, ultrapassando, aparecendo como opção. Apesar de Diego Renan não ir a linha de fundo nem por decreto, o time rubro-negro passou a ter apoio pelos dois lados, variando suas jogadas ofensivas.

Agora vamos a alguns problemas. Com as circunstâncias que o jogo se desenhava, eram os zagueiros que tinham a bola nos pés para armar o jogo (como Kanu na imagem acima), mas eles, principalmente Kanu e Victor Ramos, erraram muito. Isso precisa ser trabalhado por Mancini, zagueiro também pode e deve armar o jogo. Outra questão é que a equipe passou a cruzar muitas bolas na área, mas não tinha um centroavante de ofício. Claro que o lógico seria Mancini ter colocando um atacante de área para tentar aproveitar os cruzamento, mas, neste caso, concordei com o treinador em não ter promovido a entrada de Rafelson naquele momento, com obrigação de decidir o jogo (sua entrada mais tarde me fez ver que tinha razão, assim como Mancini). Percebi que o time tinha condições de encontrar o gol, com os atletas que estavam em campo, principalmente pelos espaços que estavam sendo encontrados. 

Gol de Vander após cruzamento rasteiro de Diego Renan, e a virada com Euller, após passe de Farias, veio para coroar o volume de jogo que vinha tendo o Vitória. Nickson ampliou de cabeça, e mesmo com 2 jogadores a mais em campo, o time ainda conseguiu levar mais um gol, mostrando que o problema não está em ter 2 ou 3 zagueiros e sim na falta de concentração e mecanismo defensivo. 

Reforçar o elenco é preciso e já passou da hora. O time está de parabéns pela luta em campo, mas a diretoria precisa fazer sua parte e não se acomodar pelo resultado positivo.

Nós criticamos mas também sabemos elogiar, então, desta vez, um vídeo sobre os bons momentos ofensivos do Vitória na partida:




Por Cassio Santos/@CassioNSantos

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