PAPO TÁTICO: Vitória 1 x 2 Chapecoense

O Esporte Clube Vitória perdeu sua primeira partida no Barradão na série A 2016. Por coincidência ou não, o primeiro jogo da equipe às 11h da manhã, que, teoricamente, deveria a favorecer pelo fato dos jogadores já estarem acostumados com o clima quente da capital baiana, enquanto a Chapecoense vem de um clima totalmente diferente em Santa Catarina, mas não foi isso que comprovamos em campo.

Depois de um primeiro lento muito sonolento por parte de ambas as equipes, acredito que devido ao forte calor, a partida só ganhou em emoção e agilidade na segunda etapa.

Sem poder contar com William Farias, o técnico Vagner Mancini optou por um time mais móvel no papel, com Tiago Real e Flávio no meio campo, juntamente com Amaral, variando entre o 4-1-2-3 e o 4-2-1-3.


Na imagem, Vitória postado no 4-1-2-3 (4-3-3 triângulo invertido), com Flávio e Real responsáveis por uma maior dinâmica no meio campo, porém, Flávio com maior liberdade. Depois de sequências ruins, Amaral voltou a atuar bem, desta vez posicionado como primeiro volante, sua função de origem, jogando de frente e com espaço. Do outro lado, a Chapecoense num 4-3-3 com a posse de bola, que variava para um 4-4-2 bem compacto sem a bola.

A equipe de Santa Cantarina não possui um time mais forte que o Vitória no papel, porém, em campo, a organização e os conceitos táticos são melhor executados, suprindo a ausência da individualidade ou técnica mais apurada. O ótimo treinador Guto Ferreira, sabendo que o ponto mais forte do Vitória é o lado direito com Marinho, improvisou o volante Sergio Manoel na lateral esquerda, que tinha com principal função anular o ponta rubro-negro, não dando chances para Marinho encontrar o setor vazio.

Os problemas do Vitória são sempre os mesmos, falta de criação, lentidão nas transições, aproximação, falta de ultrapassagem dos laterais... Vamos mostrá-los mais uma vez em imagens.


T. Real tenta cobrar o lateral com agilidade, para surpreender a defesa adversária, porém, ninguém do Vitória se projeta no espaço vazio, já que em cobrança de lateral não existe impedimento. Enquanto os jogadores rubro-negros andam em campo, a Chapecoense já está com suas duas linhas de quatro montadas e bem compactas.


Nesta captura, Amaral tem a bola no meio campo para iniciar a construção da jogada, mas, Diego Renan, ao invés de abrir no lado esquerdo, ele afunila para o meio, entre dois marcadores adversários... Diego Renan faz sempre esse movimento, mas qual o motivo? isso é instrução do treinador? Você deixa de dar amplitude para centralizar no meio dos marcadores. A única explicação para isso seria se o movimento citado fosse realizado para abrir espaço para outro jogador, o que não é o caso.


Na sequência do lance, o Vitória não tem mais a posse, e observem onde Diego Renan continua posicionado, mesmo com um adversário preparado para atacar o espaço nas costas de Ramon, que caso a bola fosse invertida, teria que sair da sua posição para cobrir seu lateral completamente mal posicionado.

Esse é um problema grave, pois, quando o Vitória possui a bola, Diego Renan não cria amplitude pelo lado esquerdo, não ultrapassa para ir a linha de fundo, deixando o time lento e mais fácil de ser marcado, além de se posicionar mal no momento defensivo.


Transição defensiva do Vitória é lenta, jogadores demoram para recompor. Além disso, muita vezes, os três atacantes ficam parados na frente, ao invés de os dois pontas recuarem mais um pouco para criar uma cobertura ou ficando melhor posicionados para um contragolpe.


Um erro constante e individual vem do zagueiro Victor Ramos, que geralmente sai para caçar e abandona a primeira linha, deixando espaço para a penetração dos pontas adversários. Tudo bem que ele é o responsável pela disputa da primeira bola pelo alto, mas ir até o meio campo atrás do centroavante adversário não me parece a decisão mais acertada.


No lance do primeiro gol da Chapecoense, olha onde novamente está Victor Ramos....


Por conta do abandono de Victor Ramos da primeira linha, Norberto tentou fechar o espaço deixado por seu colega, e acabou abrindo espaço para a infiltração do lateral esquerdo adversário após boa visão de Arthur Maia, preterido pela comissão técnica, diretoria e torcedores do Vitória.

Enfim... Os erros são inúmeros. A derrota serve para a seguinte lição: O que o time da Chapecoense tem a mais em relação ao Vitória? Organização e padrão tático, é isso que faz a diferença no futebol moderno.

A diretoria precisa reforçar o elenco com urgência, mas Mancini também precisa fazer a parte dele e arrumar o time, fazer com quê os jogadores executem com perfeição o que é pedido ou, simplesmente, mudar a estratégia.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos

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