PAPO TÁTICO: Vitória 1 x 1 Ponte Preta

Vitória e Ponte Preta se enfrentaram neste domingo no estádio Manoel Barradas, em jogo válido pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro 2016.

O empate em 1 x 1 acabou sendo frustrante para o torcedor rubro-negro se olharmos para os dois gols da equipe baiana mal anulados pela arbitragem. Porém, vamos nos ater apenas as questões táticas.

Vagner Mancini não pôde contar com Marinho, uma das peças mais importantes do elenco ao lado de Kieza. A surpresa ficou por conta da entrada do jovem Gabriel que, teoricamente, possuía a mesma função de Marinho. Aberto pela direita, o garoto tinha que recompor a segunda linha do 4-1-4-1 ou 4-4-2, com enfase no avanço do lateral adversário. Gabriel fez uma boa partida taticamente, no entanto, faltou ser mais incisivo no setor ofensivo.

Pelo lado da Ponte Preta, o técnico Eduardo Baptista estudou bem o Vitória, e sabia das dificuldades de criação da equipe, principalmente a falta de jogadas pela linha de fundo.


Eduardo Armou um 4-1-4-1, com marcação zonal, característica do treinador. Notem como a equipe flutua de acordo com o movimento da bola.


Quando os volantes ou alguém recuava para tentar iniciar a construção, um jogador da segunda linha da Ponte avançava para dar pressão no portador, dificultando o passe.

No Vitória, a insistente permanência de Amaral deixa o time lento, sem mobilidade. Por outro lado, com a entrada de Euller na esquerda e a ida de Diego Renan para a direita, fez com que o time conseguisse atacar pelos dois lados, apesar de Diego Renan pouco ir a linha de fundo mesmo pela direita. Euller fez uma de suas melhores partidas com a camisa rubro-negra e foi uma ótima opção ofensiva.

O sistema defensivo continua bastante vulnerável, com o adversário conseguindo chegar facilmente ao gol. Foram até o momento 16 gols sofridos em 11 partidas, sendo que o único jogo em que não levou gol foi diante do Internacional na 6ª rodada. Penso que ajustar o sistema de marcação (nisso me refiro a todos os jogadores não apenas os zagueiros) é o primeiro passo em busca de um equilíbrio. Mancini poderia repensar a marcação por encaixe individual e trabalhar a marcação por zona, que tem como foco o movimento da bola e a negação de espaços. Não adianta pensar em fazer gol se você ainda não aprendeu a se defender. Não levar gol é tão importante quanto balançar as redes adversárias.

Mancini cometeu alguns erros. Primeiro ao manter Amaral na equipe juntamente com Farias. Segundo, ao invés de ter tirado Gabriel no intervalo, poderia ter consertado o erro de ter Amaral, recuando Tiago Real. Terceiro erro foi ter deslocado Tiago Real para a ponta direita (2º tempo), quando poderia ter um jogador mais agudo e velocidade por ali, como David. Quarto, ao colocar Marcelo no lugar de Amaral, quando deveria ter feito uma alteração mais ofensiva naquele momento.

No sistema de jogo do Vitória, quando o time possui a posse de bola, Amaral e Tiago Real são os responsáveis pela criação pelo centro dentro do 4-1-2-3. Ambos não possuem características de armadores. O primeiro é um desarmador nato, e teria que disputar posição com Farias, enquanto o segundo não pode ser utilizado como o principal homem de criação.

Para suprir a ausência de um jogador mais criativo, Mancini teria que construir mecanismos para fazer com que o time produzisse mais ofensivamente. Aproximação, toques rápidos, ultrapassagens, são aspectos que suprem a carência de uma meia clássico. E conseguir ter uma equipe organizada a tal ponto, é preciso utilizar jogadores mais técnicos.

Abaixo uma análise sobre o gol da Ponte Preta:





Por Cassio Santos/@CassioNSantos

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