PAPO TÁTICO: Vitória 1 x 0 Internacional

Depois da derrota pra o Flamengo, somando três jogos sem triunfos, o Vitória precisava reencontrar o caminho das vitórias diante do Internacional, um dos líderes da série A do Campeonato Brasileiro 2016.

A equipe rubro-negra balançou as redes logo aos 4 minutos com Marinho, o que foi fundamental para dar tranquilidade durante o restante da partida.


Vitória e Internacional utilizaram como sistema base o 4-2-3-1, como é possível observar através das linhas amarelas e brancas.


Mancini estudou bem o Inter, e tratou de anular o adversário. Notem na imagem que, com o desenho dos dois sistemas, Flávio era responsável por não deixar Fernando Bob, volante construtor do Internacional, iniciar as jogadas adversárias, logo, a bola chegava ao setor ofensivo quebrada, um dos fatores que deixou o jogo bastante truncado no primeiro tempo. Farias tinha a responsabilidade de marcar Andrigo e Amaral em Anselmo.


A imagem acima mostra a importância da marcação mais próxima em Fernando Bob. Vejam que com o mínimo espaço, o volante consegue inverter a bola de um lado para o outro, aproveitando a subida do lateral nas costas de Dagoberto.

É necessário destacar a boa partida de Euller que procurou fazer o feijão com arroz, atento ao seu ponto fraco, a marcação. Entretanto, pouco para disputar uma série A, já que não basta apenas marcar, precisa dar opção no momento ofensivo, ir a linha de fundo.... Euller não tem força para isso.


No flagrante acima, o Vitória no 4-1-2-3, em momento ofensivo. Marinho e Kieza dando amplitude pelos flancos, visando espaçar a primeira linha do Inter. Ponto fraco do Vitória, Flávio e Amaral são meias quando o time tem a posse, porém, ambos não possuem dinâmica nem características para isso. Inclusive, Amaral caiu muito de produção. Ter um outro jogador mais técnico ao lado de Flávio, poderia facilitar a vida do time rubro-negro. PS: Kieza e Dagoberto mudavam de posicionamento em alguns momentos, o que já aconteceu em alguns jogos, e pode confundir a marcação adversária.

O Internacional, por característica do técnico Argel, tem um estilo de jogo reativo, onde deixa o adversário com a posse de bola para explorar o contragolpe, aproveitando a velocidade de Vitinho e Sasha. Com o gol levado aos 4 minutos, a estratégia do time gaúcho foi por água abaixo. Com enormes dificuldades para propor o jogo, o colorado não conseguiu ameaçar a vantagem rubro-negra.

Já o Vitória teve tranquilidade a partir do gol, soube executar o que foi pedido pelo técnico Vagner Mancini. Porém, não posso deixar de pontuar que, a atuação abaixo do esperado do adversário, cobriu defeitos recorrentes do time baiano, como a a falta de apoio dos laterais, que não conseguem ir a linha de fundo.

Mancini voltou a utilizar Dagoberto na ponta esquerda, um grande erro na minha visão. Apesar do atleta ter mostrado mais disposição em campo, é notório a dificuldade física.

Outro ponto importante a ser destacado é o retorno de Marinho. Em alguns momentos individualista, no entanto, o jogador consegue ter a força necessária que nenhum outro ponta do elenco demonstrou. Além de amarelar muitos adversários, Marinho consegue levar dificuldade a qualquer sistema defensivo. Falta ao Vitória ter essa mesma força do lado oposto.

Quando a equipe rubro-negra consegue ter Marinho e Kieza atuando, o poder de fogo aumenta consideravelmente, mas quando um dos dois não está em campo, o ataque sofre. Primeiro, por não ter um outro jogador do mesmo nível técnico e físico no elenco e, segundo, pelos defeitos coletivos já citados em outros textos.

O triunfo foi importante para voltar a dar moral, e ajudar na soma dos 45 pontos necessários para permanecer na elite. Mas a vitória não pode esconder as carências do elenco, e a repetição de alguns erros coletivos.


Por Cassio Santos/@CassioNSantos





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