PAPO TÁTICO: Vitória 3 x 2 Corinthians

Ufa!

É assim que iniciamos o Papo Tático de hoje. A sensação de alívio tomou conta dos presentes no Estádio Manoel Barradas, o Barradão, quando o árbitro Héber Roberto Lopes apitou o final da partida, onde o Vitória conseguiu seu primeiro triunfo (3 x 2), diante do atual campeão Brasileiro, o Corinthians.

Diferente do que esse colunista tanto bateu nas redes, Mancini optou por fazer uma marcação alta, tentando sufocar a saída de bola do Corinthians. Não digo que a estratégia foi errada, porém, como já esperado, não funcionou. Primeiro que, vários adversários já tentaram esse tipo de estratégia contra a equipe paulista, por isso, Tite já treina seu grupo para suportar a pressão e conseguir encontrar o companheiro em condições de receber o passe. Segundo, o time que escolhe fazer a marcação alta tem que ter sido bastante treinado, pois exigirá o máximo de atenção e sincronismo dos jogadores para dar pressão no portador da bola e cortar as opções de passe mais próximas, forçando o chutão adversário, para assim, conseguir retomar a posse. 

A estratégia deu certo até os cinco minutos. Após isso, o Corinthians tomou conta da partida fez seu primeiro gol e poderia ter deixado o primeiro tempo com um placar muito mais elástico que o 2 x 1. O que deixaria a equipe rubro-negra com um problema ainda maior, dificultando a reação. 


Na imagem, a marcação alta do Vitória coloca 8 jogadores em campo ofensivo, porém, notem como existem três jogadores adversários (círculos amarelos) em condições de receber o passe.. Isso é fatal para o contra-ataque. Outro problema, são cinco atletas do Vitória após a linha da bola, ou seja, eles não podem fazer mais nada. Os dois zagueiros rubro-negros estão na linha do meio campo, enquanto os atacantes e meias adversários antes do meio campo, o que não gera impedimento, e dando um enorme terreno para o adversário correr em suas costas.


No primeiro gol do Corinthians, mais um problema por não saber fechar corretamente o espaço. Em vários jogos, a marcação do Vitória só chega atrasada, após o adversário receber o passe. Geralmente, quando a marcação chega, a bola já foi. Vejam como Marinho parte atrasado na perseguição ao lateral Uendel. 


Agora vejam mais problemas por outro ângulo. O meia do Corinthians, Guilherme, está solto, José Welison abandona a primeira linha para dar o combate, o que da ainda mais espaço para a penetração de Uendel, autor do gol. Erro de Marinho que deixou o lateral passar em suas costas, erro de Welison que quebrou a linha para dar o combate, e erro de todo o sistema defensivo por ter deixado o meia adversário livre, numa zona mortal. 


O Corinthians é uma equipe muito organizada e difícil de ser batida. Por isso, o feito do Vitória merece muitos aplausos. Na imagem, o Corinthians bem compactado no 4-1-2-3, uma das variações utilizadas durante a partida, assim como o 4-1-4-1 e 4-2-3-1. Jogadores próximos, se movimentado e dando opções de passe a todo instante, com movimentos bem sincronizados. 


Agora, notem a proximidade dos jogadores gerando inúmeras ligações e opções de passe. Difícil roubar a bola de uma equipe tão bem organizada. 

O Vitória começa a virar o placar na volta do intervalo, com os jogadores demonstrando mais vontade e buscando o empate, apesar de tática e tecnicamente o Corinthians ainda ter vantagem. O gol de Marinho após uma boa jogada entre Kieza e Vander, deu um novo gás ao rubro-negro e, enfim, a equipe começa a utilizar a estratégia mais acertada. 


Após o empate, o Vitória colocou os 11 jogadores atrás da linha da bola, negando os espaços ao Corinthians, coisa que deveria ter feito desde o início. Sem espaço em campo ofensivo, a equipe paulista passou a ter dificuldades para criar, e o Vitória aproveitou o bom momento com um belo gol, após um toque por cima de Leandro Domingues para Kieza, que com muita frieza empurrou a bola para o fundo das redes.

"Leandro Domingues para Kieza". Por diversas vezes comentei através do twitter que a melhor maneira de utilizar Domingues, o jogador mais técnico e criativo do elenco, seria próximo ao atacante, já que o mesmo não possui mais dinâmica para atuar numa segunda linha. Acontecia que o meia não conseguia ajudar na marcação e tão pouco o ataque, sobrecarregando todo o time.

Quando o Vitória colocou os 11 atletas atrás da linha da bola, a equipe se armou no 4-4-2, com Kieza e Leandro Domingues marcando a linha de passe dos zagueiros, Vander e Marinho fechando a segunda linha junto a Marcelo e Amaral. O time ficou atento, fechando os espaços, e explorando o contragolpe com lançamentos para Marinho que buscava o postado de Uendel.

O Vitória precisa atuar assim contra os grandes. Reconhecer a limitação técnica, mas superar com a tática e força. Não da para enfrentar um Corinthians de igual para igual como Mancini tentou. Sorte do Vitória que o time paulista não matou o jogo quando teve as oportunidades, dando chance a reação rubro-negra.

Os jogadores estão de parabéns pela disposição em campo e por não ter se entregado. Mancini por ter revisto sua estratégia e ter escolhido o plano correto ao posicionar o time no 4-4-2, visando o contragolpe.

Alguns destaques:

Marcelo: Apesar de ter errado alguns passes (precisa aprimorar o fundamento), foi o jogador que mais desarmou na partida (6 desarmes), sendo um dos pilares para não deixar o time se entregar.

Kieza: Tem pessoas que comentam que Kieza não sabe ser pivô. Meu Deus! Como sabe jogar de costas, além disso, a boa movimentação para os lados e para trás é um diferencial. Marcou o gol do triunfo e ajudou na jogada do segundo tento.

Fernando Miguel: Salvou bolas importantes, tanto no início como na reta final. O primeiro gol pode ter sido defensável.

Marinho: Jogou demais no segundo tempo. É o jogador mais vertical do time, que tenta a jogada individual com foco em encontrar o espaço para o arremate.

Diego Renan: Ganhou praticamente todas as bolas no segundo tempo, dando uma boa proteção ao lado esquerdo do sistema defensivo.


Por Cassio Santos/@CassioNSantos

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