PAPO TÁTICO: Bahia 1 x 0 Vitória

O Esporte Clube Vitória conquistou o título do campeonato Baiano neste domingo (8), mesmo sendo derrotado pelo arquirrival Bahia por 1 x 0 na Arena Fonte Nova (na partida de ida, o Leão venceu o rival por 2 x 0, dando o direito de perder por até um gol de diferença para levantar o caneco).

Com a bola rolando, o Vitória fez uma de suas piores partidas na temporada. No primeiro tempo, o Bahia, que precisava reverter a desvantagem, tomou conta da partida, conseguindo abrir o placar com Feijão aos 20 minutos. A equipe rubro-negra, desnorteada, não conseguia esboçar reação, e viu o rival ser superior pela maior parte da partida (talvez, por toda a partida).

Agora vamos entender como Doriva conseguiu fazer o Bahia ter sido superior dentro de campo.

Primeiramente, o treinador saiu do 4-1-2-3 para o 4-4-2. A ideia era tirar a armação das jogadas do centro, onde o Vitória possui uma forte marcação com Farias e Amaral, por isso, a entrada de João Paulo Gomes no lugar de Juninho. Por ser lateral de origem, João Paulo teria maior facilidade para jogar aberto pela ponta esquerda (e foi o que aconteceu). Vejam na imagem abaixo como o Bahia se comportava ao ter a posse:


 Notem como os dois jogadores responsáveis por armar as jogadas do Bahia se posicionavam nos lados do campo, buscando o 1 x 1 contra o lateral, ou aproveitando o postado, como Danilo Pires, na parte superior. Logo, ao invés de 3 atacantes como no 4-1-2-3, o rival tinha quatro atacantes, desmitificando os comentários de que Doriva entraria com um time resguardado. Escalação não diz qual será a postura e atitude do time em campo.


João Paulo aberto na esquerda, além de espaçar a primeira linha do Vitória, deixava os volantes sem saber o que fazer, ou quem marcar. Olha como Farias está perdido.

Lembram como estavam as formações no clássico anterior? Vamos relembrar para facilitar o entendimento:


Olhem o encaixe de marcação Amaral - Danilo Pires, Farias - Juninho, os dois volantes do Vitória marcando os dois meias do Bahia. Pois bem, Doriva percebeu que isso deu vantagem ao rubro-negro nos dois primeiros clássicos e mudou, trouxe algo novo. Na zaga, o Vitória com Ramon na sobra (Bahia com 3 atacantes)... Agora voltem para a primeira imagem, não existe sobra, pois são quatro jogadores avançados do rival.

Danilo Pires e João Paulo tinham total liberdade para atacar a área. Vejam abaixo:


Thiago Ribeiro sai da área para fazer a jogada lateral, enquanto João Paulo já o substitui na área junto a Hernane, e Danilo Pires já atacando o postado de Diego Renan. O lateral Moisés faz a ultrapassagem e Paulo Roberto se posiciona para ser opção de retorno. Movimentos bem sincronizados.


No frame acima, mais uma vez, Danilo Pires e João Paulo na área...

Doriva mudou bem, surpreendeu o Vitória. Tirou o jogo do centro, onde o Vitória tinha vantagem e buscou as jogadas laterais, contando com um apoio maior de jogadores nas jogadas ofensivas. As transições defensivas e ofensivas eram rápidas, dando ao Bahia superioridade numérica em todos os setores do campo, com e sem a bola.

Pelo lado rubro-negro, o torcedor do Vitória assistiu a todo o jogo aflito, pois viu seu time ser atropelado, e sem poder de reação. Mancini entrou em campo com o mesmo esquema 4-2-1-3, e não tinha motivos para alterar, pois tem uma equipe melhor tecnicamente, que poderia impor seu jogo, independente das mudanças do adversário. Mas não foi o que aconteceu, principalmente pelo fato do arquirrival precisar reverter o placar do último jogo, vindo a campo com uma motivação extra.

Critico Mancini pelo que aconteceu após o início da partida, onde o treinador deveria ter feito algumas mudanças para equilibrar o jogo.

Como o Bahia tinha muito espaço para jogar, uma alternativa seria montar um esquema com duas linhas compactas (o 4-1-4-1 já utilizado poderia ser uma ótima solução, ou espelhar o 4-4-2 do adversário), diminuindo os espaços, dificultando a chegada do adversário na área. Este chegava a meta de Caíque como queria.

Mancini teve tempo para fazer isso no intervalo, não o fez, e as substituições só aconteceram por volta dos 30 minutos da segunda etapa, tempo suficiente para o Vitória já ter levado o segundo gol. As entradas de Thiago Real no lugar de Leandro Domingues e Alípio no de Vander, deram mais posse de bola ao Vitória em campo ofensivo, prova de que as alterações deveriam ter sido feitas antes.

Apesar deste ser um espaço rubro-negro, não posso me omitir aos fatos. O Bahia foi superior e poderia ter saído de campo com um placar mais elástico e, consequentemente, campeão. Parabéns ao Doriva por isso, que ganhou alguns pontos no meu conceito.

Mancini, que já foi bastante elogiado por mim, precisa ter alternativas prontas para partidas encardidas, na qual o adversário esteja tendo vantagem.

O título do campeonato é bem vindo, e a última partida serve para mostrar à diretoria que a equipe precisa de reforços.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos
Imagens: Reprodução TV Bahia

Um comentário:


  1. Concordo com o exposto, ganhamos o primeiro jogo porque tínhamos o meio de campo. Na minha visão tinhamos que voltar no 4-4-2. Com Thiago Real no lugar de Vander... porque a bola não estava chegando no ataque. Os três estavam isolados e o Jahia ganhou todos os rebotes. Um susto que não precisavamos passar. E da dava uma missão para Marinho.... expulsa o zagueiro estabanado

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