PAPO TÁTICO (Bahia 0 x 2 Vitória): Mancini, o mestre dos clássicos

O triunfo do Vitória no clássico BaxVi deste domingo por 2 x 0, consolidou o técnico Vagner Mancini como o mestre dos clássicos, isso pois, mais uma vez, o treinador conseguiu estudar bem o adversário e armar uma maneira de atuar eficaz. Não digo isso apenas pelos dois gols marcados, mas sim, por todo o contexto do jogo.

Antes da partida, critiquei o treinador por ter voltado a utilizar os dois volantes Amaral e Farias, já que, até então, a equipe não havia conseguido boas atuações com ambos em campo. Porém, diferente das outras partidas, Mancini armou um 4-2-1-3 (4-3-3), sendo que os dois volantes mais "mordedores", davam a proteção necessária para o meia Tiago Real ter mais tranquilidade para jogar, se preocupando menos com a marcação. Outro fato que não concordei, foi ter deixado Arthur Maia no banco de reservas. Porém, fui claro ao dizer que o fato de não concordar, não anularia um elogio a uma boa atuação, caso acontecesse, e ela aconteceu.

Desde os primeiro minutos vimos um Vitória focado, com uma marcação bem ajustada, que retomava rapidamente a posse de bola, um aspecto tão fundamental que é sempre cobrado por aqui. O rival não conseguiu jogar nos primeiros minutos, parecendo até, que o rubro-negro era quem estava atuando dentro de seus domínios (e não estava? rs).

Apesar de ter a posse, o Vitória não conseguia criar as chances de finalização, enquanto isso, o Bahia passou a ser mais vertical e assustar em duas oportunidades, pois quando recuperava a bola, buscava rapidamente a finalização. Após as chances criadas pelo tricolor, a partida foi se tornando mais equilibrada.

O gol marcado nos primeiros minutos do segundo tempo, deu a tranquilidade necessária à equipe rubro-negra para continuar focada e matar o jogo com o belo gol de Tiago Real. Após isso, foi só administrar.

Mancini escalou o Vitória da seguinte maneira: Caíque; Welison, Vinícius, Ramon e Diego Renan; Amaral, Farias e Tiago Real, Vander, Marinho e Robert.

Mesmo com os dois volantes pegadores, Mancini deu ao time saída pelos lados do campo ao improvisar Welison na lateral direita. Outro motivo dessa escolha foi por ter ciência que o lado esquerdo do Bahia é o mais forte, e não daria para escalar Euller por ali, tanto que, Diego Renan teve trabalho por aquele setor.

Como o Bahia jogava numa espécie de 4-1-2-3, o mesmo 4-3-3 do Vitória, porém com um volante e dois meias, os dois volantes do rubro-negro (Amaral e Farias) se batiam com os dois meias tricolores (Juninho e João Paulo), enquanto o meia Tiago Real duelava com o volante Feijão. Isso mostra como Mancini estudou o adversário e buscou uma forma de ser superior. Na frente, Marinho e Vander abertos pelas pontas, atuavam com Robert, a referência no ataque.  Marinho e Vander tinham a obrigação de acompanhar a subida dos laterais adversários, e serviam como opção no momento ofensivo.


Vejam o flagrante do primeiro gol do Vitória, Robert (referência) sai da sua posição e vem buscar a bola trazendo consigo um zagueiro adversário, abrindo assim, o espaço necessário para a infiltração de Vander. Essa é uma jogada típica do 4-3-3. Ter dois pontas rápidos e habilidosos como Vander e Marinho preocupará o sistema defensivo adversário, onde buscarão sempre esse espaço vazio e as costas do lateral. Importante destacar que ambos invertiam algumas vezes de lado.

Essa partida merece alguns destaques:

Mancini: Estudou bem e armou uma boa estratégia para que sua equipe fosse superior em campo, o placar foi consequência. Mesmo que o resultado tivesse sido um empate, por exemplo, iria elogiar da mesma maneira os pontos destacados aqui.

Caíque: O garoto mostrou uma personalidade incrível, a boa atuação o coloca na frente dos demais goleiros da base e o credencia a ser uma opção para o restante da temporada.

Demais atletas: Não dá para criticar alguém, foram todos focados, sabendo o que deveriam fazer em campo, executaram bem. Os vacilos e cochilos deverão ser corrigidos nos treinamentos.

O triunfo da tranquilidade para a continuidade do trabalho. A maneira de jogar do Vitória começa a tomar corpo, mesmo que algumas variações de sistemas sejam realizadas de um jogo para outro, porém, já podemos observar que Mancini pretende atuar com dois volantes de forte marcação, um meia e dois extremos de força e velocidade.

Bom ver o retorno de Leandro Domingues com a camisa do Vitória. Apenas 15 minutos não da para se avaliar, mas sua técnica nos poucos toques e movimentação sem a bola, já nos enche de esperanças.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos


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