Parte 4: Retrospectiva tática do Vitória na temporada 2015

Após merecidos dias de férias, nosso quadro Papo Tático retorna com o quarto e último capítulo da retrospectiva tática do Vitória na temporada 2015.

Depois do belo trabalho realizado pelo interino Wesley Carvalho, o técnico Vagner Mancini assumiu o Vitória que ocupava naquele momento a quarta colocação da série B, quatro pontos atrás do líder Botafogo. 

O primeiro acerto de Mancini foi manter a base e a forma de como o time vinha atuando, porém, no decorrer da competição, a oscilação entre boas e ruins exibições marcaram seu trabalho. Claro quê, não podemos descartar a falta de apoio da diretoria em relação a contratações.

Mantido o sistema base de jogo (4-1-4-1) com variações para o 4-3-3 e 4-2-3-1 com a posse de bola, Vagner Mancini foi feliz na descoberta de Rhayner como meio campo. O até então limitado atacante se encontrou, atuando por dentro da segunda linha ao lado de Pedro Ken. Veloz, Rhayner conseguiu ser mais útil, recompondo rapidamente e chegando à frente para apoiar o ataque e até fazendo gols. Caso este jogador consiga dar sequência na carreira nesta função, melhorando alguns defeitos, poderá atuar em alto nível em qualquer equipe do país.

Outra característica mantida foi a marcação alta na saída de bola adversária, seguindo a teoria de quanto mais perto do gol oponente a bola for roubada, mais próximo estará de balançar as redes.

Dificuldades em propôr

Voltando a falar sobre oscilação, o primeiro problema da equipe era no momento de propôr o jogo. A equipe tinha a posse de bola, trocava passes, porém não conseguia superar adversários que atuavam de maneira mais defensiva, algo cada vez mais comum no futebol moderno. Para superar tal situação era necessário uma maior movimentação, aproximação e troca de passes rápidos.


Contra o 4-4-2 do América-MG (Imagem acima), Mancini tentou uma saída de três para iniciar a construção das jogadas. O volante Marcelo Mattos recuava para linha dos zagueiros enquanto os laterais avançavam para a linha do meio. Porém, a falta de movimentação e aproximação dos homens de frente dificultava a continuidade das jogadas. Nesta partida (empate em 1 x 1), os zagueiros e Marcelo Mattos tinham a posse, mas não encontravam opções de passe.


Em outro empate dentro de casa, desta vez em 0 x 0 com o Macaé, a equipe de Vagner Mancini esbarrou na mesma dificuldade. Apesar da amplitude criada pelos laterais que atacavam ao mesmo tempo criando amplitude no intuito de espaçar o sistema defensivo adversário, a equipe era previsível e estática.

Boas atuações

Já em outras partidas a equipe conseguia exibir um bom futebol e dava esperanças que poderia alcançar e continuar no topo da tabela.


Diante do Santa Cruz o Vitória fez um dos 15 melhores primeiros minutos na competição. Intenso, com movimentação, jogadores buscando aproximação (opção de passe), o rubro-negro abriu dois gols de vantagem rapidamente. No decorrer da partida o time caiu de rendimento e viu o Santa diminuir para 2 x 1 (números finais).

Ainda na imagem acima é possível ver a aproximação e triangulação entre David, Flávio e Diogo Mateus, com Escudero fugindo da ponta e se apresentando ao meio. Triangulação, opção de passe e movimentação.


Na goleada (4 x 1) pra cima do fraco Mogi Mirim, o Vitória deu aula de movimentação e fez uma partida perfeita. Na imagem Rhayner (meia) sai da área atraindo a marcação enquanto Diego Renan já buscou a profundidade nas costas do lateral adversário.

Clássicos

Mancini venceu os dois clássicos. O primeiro, no Barradão, utilizando a estratégia perfeita. Naquele momento, o Bahia era uma equipe que gostava de propor o jogo, enquanto o Vitória muito reativo (contragolpe), com isso, a estratégia de anular as principais peças do meio campo e esperar o erro adversário foi crucial para o triunfo. A goleada por 4 x 1 aconteceu devido a grande e fora do comum regularidade dos atletas nas finalizações.


No segundo clássico, desta vez na Arena Fonte Nova, o destaque do triunfo por 3 x 1 do Vitória foi o equilíbrio dos jogadores em campo após iniciar perdendo com apenas 19 segundos de jogo. A partida taticamente não foi excepcional, mas os atletas se superaram e após o empate conseguiram encaixar boas jogadas, aproveitando o descontrole adversário.

Maior erro


Contra o Botafogo, jogo de briga direta pelo título, Mancini cometeu seu maior erro. Após atuações ruins, o treinador decidiu mudar o sistema de jogo para seu preferido 4-2-3-1, porém, acabou pecando na escolha das peças. Pela primeira vez Marcelo Mattos e Amaral atuaram juntos, Pereira, Escudero e Rhayner formaram a trinca de meias com Robert à frente. A única peça de velocidade era Rhayner, tornando o time lento e previsível. Os dois volantes de contenção (desnecessário) também contribuíram. Outro problema enfrentado nessa partida foi o sistema de marcação prejudicado sem a utilização das linhas do 4-1-4-1.

Melhor imagem



Entre todo acervo de imagens capturadas, essa (Vitória 2 x 1 Boa) simboliza a melhor, na minha visão. Um 4-1-4-1 quase perfeito, compacto, sem espaço entre as linhas e balanceando de acordo com a movimentação da bola (marcação zonal). Caso a equipe mantivesse essa forma no sistema defensivo, com certeza, teríamos visto um time sólido conquistando melhores resultados. Me referi ao "quase perfeito", pois só faltou o atacante se posicionar mais próximo as outras linhas para termos uma perfeita compactação. Vejam como o quadrado vermelho mostra a compactação da equipe e a negação de espaços para o adversário.

Conclusão

Apesar das dificuldades em ter um elenco limitado tecnicamente, esperava mais de Mancini. O nome que resume minha expectativa é a regularidade. Regularidade em manter o sistema defensivo bem postado como na última imagem. No sistema ofensivo, faltou a regularidade das boas atuações contra Mogi Mirim e Santa Cruz, com movimentação, troca de passes rápidas...

Faltou ao Vitória uma maior organização tática, coisa que América, Botafogo e Santa Cruz conseguiram com maior regularidade.

Espero que em 2016, com um trabalho desde o início, Mancini consiga colocar em prática sua filosofia de jogo, e com o tempo a regularidade na organização tática venha a ser um destaque positivo.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos

2 comentários:

  1. Saudações! Sempre acompanho suas análises e acho elas perfeitas! Parabéns pelo trabalho, e essa foi uma ótima análise! o 4-1-4-1 de Mancini em 2015 pecou na falta de jogadores de qualidade.

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  2. Obrigado, amigo. Sim, faltaram jogadores de qualidade, com certeza.

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