PAPO TÁTICO: Primeiras impressões do Vitória no amistoso contra o Tianjin Quanjian

O Vitória iniciou de fato, ontem à noite na Arena Fonte Nova, a temporada 2016. Em sua primeira partida, um amistoso contra o limitado Tianjin Quanjian, da segunda divisão chinesa, apesar de contar com jogadores brasileiros como Luís Fabiano, Jadson e Geuvânio, além do técnico Vanderlei Luxemburgo.

O placar de 5 x 1 para o rubro-negro é o que menos importa, e qualquer análise mais crítica é muito precoce neste momento. Os jogadores estão retornando de um longo período de inatividade, ainda procurando se conhecer melhor dentro de campo, como também entender o novo modelo de jogo adotado por Vagner Mancini neste início. E é isso que vamos abordar aqui.

Mancini concedeu entrevista coletiva durante a semana onde revelou que sua equipe iria atuar num 4-2-4, surpreendendo a todos que acompanham o trabalho do treinador há algum tempo.

Em campo, Fernando Miguel; Maicon, Mattis, Ramon e Diego Renan, Amaral e Willian Farias; Gabriel, Arthur Maia, Thiago Real e Vander.


Na imagem é possível visualizar os volantes e quarteto ofensivo do 4-2-4. Amaral e Farias formando a dupla de volantes com Arthur Maia e Thiago Real por dentro, Gabriel e Vander abertos pelos flancos da última linha.

No início da construção das jogadas, Arthur Maia e Tiago Real tinham liberdade para vir buscar o jogo no meio campo, auxiliando os volantes.


Tiago Real retorna ao meio para ajudar no início da construção.


Arthur Maia e Tiago Real se movimentam na tentativa de fazer a bola rodar para furar o congestionado sistema defensivo chinês.

Aina nesta segunda imagem, notem que os dois volantes Amaral e Willian Farias (vermelho) estão posicionado no que chamamos de retorno. Daí vai uma crítica construtiva sobre essa situação. Na minha visão não é necessário dois homens com características principais de marcação nesta função, pois a bola irá passar constantemente por eles, e precisarão ter boa técnica e dinâmica para fazer a bola circular de um lado a outro de campo, buscando encontrar espaços na defesa adversária.


Willian Farias foi acionado como retorno, o mesmo precisava encontrar Diego Renan livre pedindo a bola (vermelho) nas costas da meiuca chinesa.


Outro exemplo. Willian Farias com a posse, Amaral próximo, e a bola deve ser virada para Diego Renan, livre, no lado esquerdo. Durante o primeiro tempo contabilizei três tentativas de inversões por parte dos volantes, as três erradas, sendo duas de Willian Farias e uma de Amaral. Vou dar um desconto pelo início de temporada, porém sabemos que esse fundamento não é característica dos atletas citados.

O modelo de jogo sem um centroavante de ofício causa estranheza à grande parte da torcida. Não apenas a ela, mas os próprios jogadores precisam acostumar com a nova maneira de atuar. As dificuldades para implementar qualquer modelo é complicada e requer bastante treinamento.

Mancini deixou claro na entrevista coletiva pós jogo de que o sistema foi escolhido devido a falta de opções no elenco, "Pela escassez de peças, a gente tem que trabalhar dessa forma. Quando você dá tempo para trabalhar, melhora. Se não melhorar, a gente vai ter que mexer nessa estrutura".

Ou seja, o 4-2-4 não está definido como sistema padrão do time, porém será que Mancini terá tempo para mudar caso precise?

A equipe rubro-negra sentiu a falta de ritmo, entrosamento, e faltou um pouco de dinâmica para conseguir encontrar espaços. Um segundo tempo mais ligado melhorou um pouco a atuação, principalmente quando alguns jogadores como Alípio, Yan e Rafelson entraram no jogo querendo mostrar serviço, dando uma movimentação bastante interessante. Desta vez, com um atacante de referência (Rafaelson).

Não podemos cravar se o novo sistema de jogo dará certo ou não. A única forma de ter certeza é trabalhando e executando. Não podemos criar um pré-conceito simplesmente pelo fato de não gostarmos de modelos de jogo sem a presença de um atacante finalizador.

Fato é, que Mancini, por limitação de elenco ou não, está tentando algo novo (apesar do 4-2-4 ter sido criado entre as décadas de 50 e 60), e não preso a mesmice - não posso negar que isso me agrada -. Se dará certo ou não, só o tempo irá dizer, e tempo é que Mancini irá precisar.

Podemos dizer que o 4-2-4 segue a linha de Pep Guardiola, que vem invertendo a pirâmide. Os primeiros esquemas táticos (final do século XIX), lembravam pirâmides, sendo a linha de ataque representada pela base da pirâmide. Ou seja, existiam mais atacantes e menos zagueiros, como o 1-2-7, 2-3-5, o próprio 4-2-4 utilizado na seleção brasileira de 58. No passar dos anos, essa pirâmide foi se invertendo, e os sistemas 4-4-2, 4-3-3, as variações do 4-5-1, com menos "atacantes" e mais "zagueiros" foi ganhando força, evoluindo os sistemas de marcação.

O revolucionário Pep Guardiola vem invertendo novamente essa pirâmide com o seu 2-3-5 utilizado no Bayern de Munique, focando na marcação pressão em campo ofensivo e na posse de bola.

Mancini esteve na Europa, e com certeza vai tentar implementar um pouco dessa linha de raciocínio. Mas será que estamos (torcida, diretoria, imprensa) preparados para tal mudança?

Por Cassio Santos/@CassioNSantos
Imagens: Reprodução SporTV


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