Arthur Maia, falta de paciência ou talento?



Super valorizado desde as categorias de base, o meia Arthur Maia não teve vida fácil no Vitória, clube que o revelou para o futebol. Sondagens de gigantes da Europa como Barcelona e Manchester City ao garoto de apenas 17 anos, após um torneio disputado na Alemanha, ecoavam entre os quatros cantos da Toca do Leão e em meio à torcida rubro-negra.

Como diria o pensador: "Excesso de expectativa é o caminho mais curto para a decepção". Essa frase explica o que aconteceu na relação entre Maia e o Esporte Clube Vitória nos últimos anos. Sem conseguir desempenhar o bom futebol da base na equipe de cima, o meia foi emprestado algumas vezes para Joinville, América-RN, Flamengo e, por último, Kawasaki Frontale (JAP).

Neste tempo longe do Vitória, Maia mostrou que não é um jogador dispensável, pelo contrário. Com um pouco de boa vontade é possível ver bons lampejos e algumas boa atuações.

Números

Pelo Joinville em 2013 foram 13 jogos e 2 gols marcados. Com a camisa do América-RN em 2014, o meia conseguiu sua maior sequência de jogos, foram 24 partidas, 2 assistências (Copa do Nordeste, Copa do Brasil e Série B) e 3 gols. Após boas atuações, Maia chamou a atenção do Flamengo. Com a camisa do rubro-negro carioca foram 18 jogos, uma assistência e 2 gols, até transferir-se para o Japão.

De volta ao Vitória para o início da temporada 2016, Arthur Maia a princípio não pretendia continuar na Toca do Leão, muito por saber que não é benquisto por grande parte da torcida. Porém, o técnico Vagner Mancini teve grande influência na decisão de atleta em continuar no clube, após uma boa conversa. A direção também influenciou mostrando ao jogador que pretendia contar com seu futebol.

Prancheta

Defendo a permanência de Arthur Maia no Vitória por suas características. Meia central canhoto, com boa visão de jogo, bola parada, passe médio e longo...

Um jogador com tais qualidades citadas pode ajudar e ser útil em várias funções e modelos de jogo. Irei ilustrar na prancheta alguma dessas opções.


Na figura 1 mostro um modelo de jogo que pode vir a ser utilizado por Mancini, o que já vem acontecendo nos treinamentos. Notem que não falei de esquema tático, mas sim de modelo de jogo. Sem centroavante, Maia pode fazer a função de um falso 9. Sem a posse, o jogador se posiciona entre os atacantes, mas com a posse, ele recua para armar as jogadas, o que confundi o sistema de marcação adversário. Outra opção (imagem 2) é tê-lo aberto pela direita, e com a bola teria liberdade para flutuar, principalmente em diagonal em direção ao centro para armar e abrindo corredor para a subida do lateral.

Essa foi apenas uma pincelada, mas a depender do esquema tático e modelo de jogo, Maia pode ser utilizado em outras funções, como por interior de um 4-1-4-1, ou meia central num 4-2-3-1.

Considerações Finais

Maia não é um jogador pronto e perfeito, mas tem potencial para crescer e, mais maduro após os últimos anos, pode sim ajudar o grupo. Não é a toa que Mancini brigou por sua permanência.

Encontrar meias centrais no futebol de hoje é muito difícil, o Vitória tem um e não pode se dar ao luxo de emprestá-lo.

Falta a Maia regularidade de boas atuações para conseguir ter confiança e deslanchar sua carreira.


Por Cassio Santos/@CassioNSantos


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