Parte 1: Retrospecto tático do Vitória na temporada 2015


A falta de planejamento fora de campo reflete diretamente quando a bola começa a rolar, e o Esporte Clube Vitória sentiu isso na pele em 2015. 

Ainda sobre o comando do presidente Carlos Falcão, o Vitória iniciou a temporada com o técnico Ricardo Drubscky. Aquela época, o discurso era de que o treinador fez boa campanha no Goiás na serie A (2014), utilizando muito bem as divisões de base. 

Drubscky não era muito consultado em relação as contratações que eram feitas no clube (um dos principais erros de uma diretoria). Como de costume, eram os conselheiros que palpitavam sobre o assunto. Ricardo Drubscky iniciou seu trabalho tentando implementar o 4-2-3-1, esquema mais utilizado tanto no futebol brasileiro atualmente como em boa parte do mundo.

Porém, existiam empecilhos. A falta de uma meia central de qualidade no elenco, onde Escudero acabou sendo testado na função, a contragosto, o que acabou causando um mal estar entre jogador e treinador; Assim como um centroavante de mobilidade (Neto Baiano era o titular naquele momento). 

Outro problema era em relação a lateral esquerda. A diretoria batia pé firme que Mansur e Euller tinham condições de dar conta do recado (óbvio que não). 

A primeira escalação do Vitória em sua estreia no Campeonato Baiano 2015, diante do Bahia de Feira no Barradão, foi a seguinte: 

Fernando Miguel, Nino Paraíba, Ednei, Kadu e Mansur; Amaral, José Welison, Vander (Euller), Escudero e Jorge Wagner (Willie); Neto Baiano.

Ainda assim, o trabalho de Drubscky foi regular, se analisarmos as dificuldades do início de temporada, o elenco fraco tecnicamente, além dos resultados conquistados. 12 jogos (6 pelo campeonato Baiano, 4 pela Copa do Nordeste e 2 amistosos), obtendo 63% de aproveitamento (6 triunfos, 4 empates e 2 derrotas).

Sob o comando de Drubscky, o Vitória conseguia criar boas chances de gols, principalmente nos primeiros jogos, pecando nas finalizações. O principal destaque do time era Vander, que conhece bem a função de extremo no 4-2-3-1, e vinha emplacando boas atuações. 

Na metade do trabalho, a equipe não conseguiu manter o mesmo rendimento, e a pressão para sua demissão começou a aumentar no empate em 1 x 1 com o Bahia, em partida realizada no Barradão, quando o Leão tinha a vantagem no placar e atuou com um jogador a mais desde a primeira etapa, mas acabou levando o empate.


É possível visualizar na imagem o 4-2-3-1 de Drubscky durante o Ba-Vi do dia 1º de março. Amaral e Flávio formavam a dupla de volantes, Rogério, Escudero e Vander os meias, com Elton à frente (substituindo Neto Baiano). Como citei anteriormente, Escudero atuando centralizado (onde não gosta) por falta de opção no elenco, Rogério na extrema esquerda, função que não cumpre muito bem. 

Ainda sobre a imagem, notem como a equipe preenchia bem o campo ofensivo na saída de bola do adversário, tentando não deixa-lo iniciar a construção das jogadas com facilidade.

O fim da linha para Drubscky foi o jogo seguinte, empate em 0 x 0 com a Juazeirense, no estádio Adauto Moares. 

Ricardo Drubscky tinha duas opções quando iniciou sua trajetória no Leão. A primeira, tentar fazer com quê o grupo entendesse sua filosofia e seu esquema de jogo (4-2-3-1), a que foi utilizada. A segunda, tentar outro estilo de jogo baseado nas características dos jogadores, talvez um 4-3-3 (triângulo invertido)...

Enfim, o treinador fez sua escolha, e como no Brasil não existe tempo para se testar as alternativas, após os 12 jogos, Drubscky já era taxado como um mau treinador e que não teria mais condições de comandar o Vitória.

Defendi a permanência de Drubscky pois penso que não dava pra cravar que o trabalho era de todo ruim naquele momento, e trazer outro treinador não significava ser a receita do sucesso, ainda mais com um elenco tão carente tecnicamente. A eliminação precoce no campeonato baiano dias depois, mostrou que não era o momento para sua demissão. Mas isso vamos tratar na segunda parte da nossa retrospectiva tática. 

Por Cassio Santos/@CassioNSantos
Foto (Drubscky): Divulgação E.C. Vitória

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