OLHO ABERTO: Manoel Matos e a incoerência de um mesmo grupo político


Cadê vez que leio uma entrevista dos mandatários do Vitória, consigo me espantar mais um pouco. Em entrevista à radio CBN, no dia de ontem, o vice presidente do clube, Manoel Matos, teceu alguns comentários sobre a vida financeiro do Esporte Clube Vitória e a montagem do elenco para 2016. Destacarei alguns pontos controversos entre discurso e prática, por sinal, uma atitude constante em relação a seu grupo político, já que todos que estão no poder atualmente saíram de Alexi Portela e, consequentemente, Carlos Falcão, não tendo como desassociar um do outro.

Lembro que quando assumiu o clube, em meados deste ano, Manoel Matos, que é quem realmente manda, teve um mês de "pré-temporada" e tinha o discurso de que o Vitória brigaria pelo título. No entanto, as contratações de jogadores encostados e alguns até poucos conhecidos (Diego Renan, Diogo Mateus, Mattis...) iam de contra suas palavras. A equipe capengava na competição, oscilando, mostrando a evidência de se reforçar o grupo, se o objetivo fosse realmente o título. Tanto não era, que ninguém mais foi contratado, após um dado momento.

Agora observem o que diz Manoel Matos na entrevista de ontem:

- Quando dissemos que seríamos campeões da Série B, o torcedor não acreditou. Depois acabou acreditando e nos criticou porque não conseguimos. Então tem que acreditar na gente -.

É brincadeira? O cara iludi a torcida com um discurso vazio, a torcida se empolga com os resultados obtidos em campo pelo empenho dos atletas, não por mérito da diretoria, e o Matos vem pagar de bom moço e jogar a responsabilidade para a torcida?

Como acreditar numa diretoria que deixou seu elenco à deriva na briga pelo acesso? Não se iluda torcedor, poderíamos ter ficado fora do G4, pois não tínhamos nada demais em relação as outras equipes da competição, mesmo estando entre as três maiores receitas.

Até o momento, o Vitória anunciou apenas as renovações com o técnico Vagner Mancini, o goleiro Fernando Miguel (estranhamente apenas um ano de contrato) e o lateral Diego Renan.

Outro ponto abordado por Matos foi em relação à vida financeira do clube. Para espanto de muitos, o mesmo afirmou que precisou sacrificar a receita de 2016 para fechar a conta em 2015. Vejamos:

- Outra grande preocupação para 2016, que já ajustamos as contas... Para fechar 2015 não foi fácil. Tivemos que fazer empréstimos e uma série de operações financeiras que vão ter impacto em 2016. Então temos, urgentemente, que buscar recursos. E estamos fazendo isso com o máster, contratamos um profissional para essa área (...) Como estamos equacionando as dívidas do clube, em 2016 vou ter menos dinheiro para gastar. Se não equacionarmos as dívidas do passado, nunca vou ter um time forte no futuro, independente, com arena, jogadores de primeira linha. Então precisamos equacionar esse passado, mudar o modelo de distribuição de dinheiro da TV e o torcedor precisa entender que é a força-motriz do clube e se associar. O ano vai ser de dificuldade financeira, mas não quer dizer que vai ser difícil no futebol -.

Ora, mas não era seu grupo político que arrotava para todos os lados a boa situação financeira do Vitória? Não foi seu presidente Raimundo Viana que revelou a pretensão de ser protagonista da série A, já que iria possuir R$ 80 milhões de orçamento? Quem falta com a verdade nessa história?

Fica evidente mais uma vez, que ouvir essas figuras só nos faz ter medo do que estar por vir, tanto dentro de campo como fora dele. O que esperar de um camarada arrogante, que se contradiz entre seu discurso e suas práticas, incluindo seu grupo político?

Para refletir:

Não podemos analisar um trabalho apenas pelo resultado final, tanto bom quanto ruim, pois ele pode maquiar todo um mérito ou uma incompetência. Hoje, Marcelo Santana (presidente do rival) é taxado de incompetente pelos torcedores de seu clube e imprensa baiana, enquanto nossa diretoria é a melhor. Mas quais foram as atitudes diferentes entre um e outro para definir isso? Nenhuma, as duas erraram o ponto, não souberam reforçar o elenco, por obra do destino, subimos, eles não. E se tivesse acontecido o contrário? tenho certeza que o presidente do rival seria ovacionado, como a mídia vem fazendo hoje com um senhor carinhosamente chamado de "Mundico", pelo simples fato que essas figuras carismáticas e folclóricas geram mídia no mundo do futebol. Abram os olhos torcida rubro-negra.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos
Foto: Glauber Guerra/Bahia Notícias

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