PAPO TÁTICO: Mancini erra na estratégia e escalação, Vitória alternativo perde para o Santa Cruz

Tudo bem que era um jogo quase festivo, já que Santa Cruz e Vitória conquistaram o acesso de forma antecipada. Os rubro-negros decidiram dar folga a vários jogadores que já estavam com o índice alto de desgaste físico, optando por entrar em campo com um time alternativo.

No entanto, não posso deixar de comentar o que vi. Mancini escalou o time com: Fernando Miguel; Diogo Matheus, Guilherme Mattis, Ramon e Diego Renan; Amaral e Marcelo; Flávio, Nickson, Vander e Yan.

Primeiro erro de Mancini foi na escalação da equipe. Podendo contar com Rafaelson, o treinador optou por jogar sem referência na área. Este equívoco se agrava por conta do péssimo estado do gramado do Arruda, o que dificulta a troca de passes e torna a bola área uma boa arma. Não a toa, os dois primeiros gols do Santa Cruz nasceram neste tipo de jogada.

O Vitória se armava num 4-2-4, sendo o quarteto da frente formado por Flávio, Vander, Nikson e Yan (imagem abaixo). Sem um centroavante de ofício, o jogo dos garotos ficaram ainda mais prejudicados, já que tentavam suprir esta ausência entrando na área para disputar bola com os zagueiros.


No decorrer da partida o Santa Cruz foi ganhando volume de jogo e superioridade. A equipe adversária usava muito bem a amplitude, mas pecava no último momento, pois a primeira linha rubro-negra jogava alta, deixando constantemente o meia atacante Lelê em impedimento.

Segundo erro de Mancini, a estratégia. O quarteto da frente não marcava sobre pressão, deixando os zagueiros do Santa terem liberdade para trocar passes no setor defensivo, em suas costas, alguns jogadores se movimentavam para vir buscar o jogo e tinham total liberdade, pois só restava ao Vitória os dois volantes Amaral e Marcelo.


Vejam como Amaral e Marcelo possuem 4 adversários para marcar (inferioridade numérica), num local vital do jogo, o meio campo. Desta forma, não tem como ter o controle do jogo.

Além deste grande problema, quando o rubro-negro tinha a posse de bola, Amaral e Marcelo acabavam participando mais e tendo que construir as jogadas ofensivas, o que está longe de ser o ideal, não por serem volantes, mas sim pela qualidade dos atletas para exercer tal função.

Só quando o Vitória perdia por 2 x 0, no início da segunda etapa, foi que Mancini resolver mudar, colocando Rafaleson e tirando Yan.

A partir daí, o Vitória passou a atuar no 4-4-2 em linhas, com Amaral e Marcelo por dentro, Flávio na extrema direita, em alguns momentos Vander e Nickson pela esquerda. Mancini interveio mais uma vez, colocando Gabriel para fazer a extrema direita, já que possui mais características do que Flávio para a função.

O time rubro-negro melhorou e chegou ao gol com Vander em sua jogada característica. Porém, no lance seguinte, Mattis acabou cometendo pênalti, dando um banho de água fria no início de reação, quando Bruno Moraes converteu a penalidade.

Conclusão

Não consegui entender o que Mancini quis fazer escalando os garotos na frente sem ter uma referência na área, em um campo que não favorecia o futebol com a bola no chão e troca de passes. Em seguida ver o Santa Cruz ganhar superioridade no meio campo e não ter feito nada, só alterando o time após o segundo gol.

Claro que não estou cobrando um triunfo, porém são escolhas errôneas que ficaram evidentes durante uma partida que poderíamos ter ido melhor.

Por Cassio Santos@CassioNSantos 
Imagem: Reprodução/TV Bahia

Um comentário:

  1. Discordo quando você diz que Marcelo não tem qualidade pra construir as jogadas ofensivas. O jogador não vive um bom momento, não consegue ter uma boa sequência, mas, pra mim, é por outros fatores e não por falta de qualidade técnica. Porque qualidade na saída e visão de jogo ele tem.

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