PAPO TÁTICO: Equilibrado, Vitória vence o Bahia na Arena Fonte Nova

Para conseguir desempenhar bem suas funções dentro de campo, os atletas de futebol precisam estar bem psicologicamente. Não é a toa que os clubes investem em trabalhos desta natureza, seja para reverter uma situação que não lhe é favorável, como para continuar focado no objetivo.

Iniciei o papo tático de hoje destacando o psicológico, pois foi onde o Vitória começou a vencer o clássico, com placar final de 3 x 1.

Mancini escalou o Vitória no mesmo 4-1-4-1, optando pelo retorno de Diogo Matheus à lateral direita e Diego Renan na esquerda, com isso, Euller ficou como opção no banco de reservas. Surpresa foi a escolha por Vander, atuando na mesma função de David (reserva), aberto na extrema direita.

Logo aos incríveis 19 segundos de jogo, o Bahia abriu o placar com Kieza. Em um cochilo inadmissível, e que não pode voltar a se repetir. Vamos analisar o lance:

Vejam que o Vitória está com sua primeira linha postada. São quatro defensores do Leão atrás da bola, contra três jogadores do Bahia mais próximos (superioridade numérica), mas a falha inicia com Pedro Ken, que tenta acompanhar Thiago Real, mas se atrapalha ao chegar perto de Maxi (que estava com a bola), deixando T. Real disparar sozinho pela ponta. Na sequência, Kanu marca olhando para a bola e esquece Kieza, este, muito rápido, aparece para balançar as redes.

É a partir daí que o Vitória deu o primeiro passo para a reação. A equipe rubro-negra não se abalou com o gol, e começou a trabalhar a bola. Vale ressaltar que as oportunidades eram poucas para um time que chegou a ter 60% da posse de bola. O grande erro do Leão era a falta de compactação ofensiva. Existia um enorme espaço entre os atacantes (quando a equipe tinha a posse) Escudero, Vander e Elton, em relação aos meias Pedro Ken e Rhayner. Estes dois preocupados com o início da construção das jogadas, nem sempre conseguiam participar das tramas no campo de ataque.

O Bahia teve méritos nessa questão, já que apertava a saída de bola rubro-negra com Maxi, Kieza e Eduardo mais atrás, no 4-4-2 (losango) de Sergio Soares, forçando o retorno de Ken e Rhayner, enquanto apenas Amaral tinha mais liberdade, porém, sem potencial para criação. Isso, com certeza, foi planejado por Sergio Soares.

O primeiro gol do Vitória mostra bem essa falta de compactação.

Na imagem, é a típica jogada onde o individual venceu o coletivo. E com as equipes cada vez mais bem preparadas defensivamente, o individualismo do jogador também é muito exigido no futebol moderno.
Diogo Matheus poderia ter parado no esbarrão que teve com Thiago Real no início da jogada, cavando um falta. Primeiro, pelo fato de ter apenas duas opções de passe, muito longe, contra quatro marcadores do Bahia. Olhem o espaço vazio em destaque. onde estão Ken e Vander para dar opção de passe a D. Matheus? Cadê Rhayner por dentro? Ainda assim, ele preferiu insistir, acreditou no seu potencial, e conseguiu um belo cruzamento entre dois adversários, encontrando Elton na área. Após defesa de Douglas Pires, Escudero empatou a partida. Nem sempre essa é a melhor saída.

Era o gol necessário para deixar o Vitória ainda mais confortável e com a mente tranquila, já que, o Bahia, por atuar em casa e estar atrás na tabela de classificação, precisaria se expor para tentar o triunfo. E nós sabemos que a equipe rubro-negra é muito mais perigosa quando atua de forma reativa (contragolpe), do que, quando precisa propor o jogo.

Na reta final do primeiro tempo, um lance que ajudou a definir o roteiro do clássico. Kieza faz um golaço, porém, dominou a bola no braço, e acabou sendo expulso corretamente pela arbitragem.

Enganou-se quem pensou que o jogo ficaria mais fácil com um jogador a mais em campo. O técnico Sergio Soares, como de se esperar quando uma equipe possui um atleta a menos, voltou para a segunda etapa num 4-4-1, tendo duas linhas de quatro, a segunda composta por Eduardo e Thiago Real nos extremos, com Paulinho Dias e Yuri por dentro.

O Bahia conseguiu neutralizar as ações do Vitória no meio campo e chegar com igualdade numérica ao setor de ataque, rondando por diversas vezes a intermediária, e em algumas oportunidades chegando a assustar. O gol do rival estava amadurecendo.

Mas como estamos falando de futebol, onde a lógica nem sempre acontece, foi o Leão quem marcou mais uma vez. Aos 12 minutos, Diogo Matheus mandou a bola na área, Vander escorou e Rhayner completou, virando o placar.

O Vitória preencheu a área com um número ideal de jogadores (4), porém, faltou a aproximação de Escudero e Amaral para a sobra. Se a zaga do Bahia afasta a bola, iria iniciar a transição ofensiva sem maiores problemas. Agora notem que na área o rubro-negro possuiu a superioridade numérica 4 x 3, mais próximos a bola. Assim, a tendência de sair o gol é bem maior. É o não ter medo de atacar.

A equipe tricolor acusou o golpe, então o Leão passou novamente a tomar as rédeas da partida, trocar passes e tentar controlar o jogo. Naquele momento o Vitória continuava no 4-1-4-1, porém, Rhayner saiu de dentro e passou para a extrema direita, com Vander indo para a esquerda e Escudero por dentro ao lado de Pedro Ken.

Mancini realizou três mudanças no decorrer da partida, David no lugar de Rhayner, para tentar continuar forte naquele setor (direito); Jorge Wagner na vaga de Escudero, atuando por dentro, iria tentar manter a posse e Flávio no lugar de Pedro Ken, para dar um novo fôlego ao meio campo.

Deu certo, e o Leão ampliou o marcador. O terceiro gol, o mais bonito, merece duas imagens. Vamos a elas.

Diego Renan e Elton estão cercados por 7 jogadores do Bahia, SETE. Mas notem a movimentação perfeita de Elton, que com uma diagonal curta, levou o zagueiro Gustavo com ele, abrindo ESPAÇO para a penetração de Diego Renan. É a movimentação induzindo o adversário ao erro. No futebol não existe espaço para jogador estático, o famoso cone. 

Elton ainda completa o lance com um lindo toque de calcanhar, deixando Diego Renan livre para finalizar. A movimentação e inteligência de dois atletas do Vitória, venceram a desorganizada superioridade numérica do Bahia naquele momento.

Conclusão

Como iniciei, vou finalizar... Foi imprescindível a calma dos jogadores em campo, quando não se abateram com o gol tomado logo no início. Vagner Mancini fez o correto, optando pelo retorno de Diogo Matheus, enquanto Vander cumpriu bem sua função designada. As substituições no decorrer ajudaram e o Leão conquistou mais três pontos, esse ainda mais especial, em cima do rival.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos

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