PAPO TÁTICO: Fraco técnica e taticamente, Vitória não sai de empate sem gols com o Atlético-GO

Que o elenco do Vitória é limitado, não é novidade mais para ninguém, a não ser os diretores e presidência, que praticamente desistiram dos reforços, já que o prazo para inscrições na série B se encerra na próxima segunda-feira (14).

A partida contra o Atlético-GO foi mais uma prova. O técnico Vagner Mancini não pôde contar com três atletas suspensos por conta do terceiro cartão amarelo (Amaral, Diego Renan e Rhayner), sendo que a maior preocupação seria com Euller, substituto de Diego Renan na lateral esquerda.

Mancini manteve o 4-1-4-1, visando não mudar muito a forma do time atuar, pensamento correto na minha visão, porém, pecou ao não escalar um outro jogador de velocidade no extremo com a saída de Rhayner, mas sim, optou pelo veterano Jorge Wagner, que não teve uma atuação ruim, no entanto, suas características influenciaram na forma de atuar da equipe.

Com Flávio, Pedro Ken, Marcelo Mattos e Jorge Wagner, a única peça de velocidade no meio era David, muito pouco, como já critiquei aqui em outras oportunidades.

Talvez o pensamento do treinador fosse ter a posse de bola para evitar o desgaste excessivo, devido as grandes dimensões do Estádio Serra Dourada, tendo ainda um jogador veloz para o segundo tempo. É um raciocínio válido, e que vai de encontro novamente com o elenco limitado que possui.

Teria pensado diferente, uma equipe compacta no mesmo 4-1-4-1, porém com Vander no lugar de Jorge Wagner, tendo dois extremos rápidos (David e Vander), que teriam espaço para correr nas costas dos zagueiros adversários no imenso Serra Dourada.

Mancini precisa trabalhar melhor a compactação da equipe, principalmente sua segunda linha. Assistindo uma entrevista de Tite, na minha opinião, o melhor técnico do Brasil há alguns anos, o mesmo comentava sobre uma das principais diferenças entre os time brasileiros e os europeus, taticamente falando. Tite foi enfático em frisar como poucas equipes no Brasil jogam com uma segunda linha sólida, compacta, sem quebrar... Vale frisar que o Corinthians, sob o comando de Tite, tem a característica de levar poucos gols.

No Vitória, observo jogadores displicentes, que não focam ou não sabem jogar desta maneira (marcação zonal), deixam facilmente seu setor e saem para marcar à frente, deixando espaços no meio campo.

No ataque, o medo, e isso também é culpa do treinador. Medo de se expor para procurar o gol, atacam com poucos jogadores, facilitando a vida do sistema defensivo adversário.

Na imagem, apenas quatro jogadores do Vitória buscam a jogada ofensiva. Destes, Flávio aberto na ponta direita nem se movimentou para ser opção. Enquanto isso, o Atlético se defendendo com sete, sendo que seis participam ativamente do lance. 

Esse medo, é refletido nos números. Foram apenas seis finalizações, nenhuma no gol. A lentidão da equipe (culpa de Mancini que escalou peças lentas), contribuiu para a baixíssima produção no setor ofensivo.

Mancini mudou o sistema da equipe na segunda etapa. Voltou num 4-4-2, dando mais liberdade a David para atuar ao lado de Rafaelson, ganhando assim, um pouco mais de força ofensiva. Porém, o próprio treinador matou essa evolução, ao substituir David por Vander, ao invés de ter colocado os dois em campo, no mesmo 4-4-2, mas com Vander ou David na segunda linha, tendo um contra-ataque veloz, consequentemente com maior chance de abrir o placar.

Em resumo, time lento, previsível, sem força e velocidade para atacar o adversário. E contra uma equipe que não possui nada de excepcional, para não dizer fraco, o placar não saiu do zero.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos

0 comentários:

Postar um comentário