PAPO TÁTICO: Desfigurado, Vitória sofre virada e perde para o Bragantino

Não poderia iniciar o papo tático de hoje sem citar mais uma vez a questão administrativa. Antes de analisar o resultado em campo, é preciso olhar para tudo o que acontece antes da bola rolar.

Ontem à noite, o Vitória encarou o Bragantino no Estádio Nabi Abi Chedid, completamente desfigurado. Escudero (suspenso), Pedro Ken (em recuperação de lesão), Elton (lesionado), além da dupla de zaga  Guilherme Mattis e Ramon, não atuaram e fizeram muita falta. Principalmente, pelo elenco carente que possui o clube - quantas vezes já batemos nisso.... 

Muitos torcedores colocaram a culpa do revés (Bragantino 2 x 1 Vitória) na conta de Vagner Mancini - que com certeza tem sua parcela de culpa -, porém, vejo além disso, e vou explicar no decorrer da análise.

O treinador surpreendeu à todos e escalou o time com: Gatito, Diogo Matheus, Kanu, Vinícius e Diego Renan; Marcelo Mattos, Rhayner, Jorge Wagner, Pereira e Vander; Robert.  

Quando soube a escalação, não entendi o que Mancini pretendia fazer, claro, possuía algumas suspeitas, mas tínhamos que aguardar para ver e analisar como iria se desenhar em campo. 

Vagner Mancini iniciou a partida num 4-2-3-1, com Marcelos Mattos e Rhayner formando a dupla de volantes, Pereira na meia central, Vander (winger pela direita) e Jorge Wagner (winger esquerda), com Robert à frente. Após alguns minutos, Vander mudou para a direita, Jorge Wagner centralizou e Pereira passou a atuar pelo lado esquerdo. 

Inesperado, o gol rubro-negro saiu logo aos cinco minutos, meio sem querer, quando Diego Renan tentou o cruzamento, a bola bateu no travessão e Robert cabeceou para o gol.

A primeira etapa se desenrolava com um Vitória, apesar de desorganizado e com uma transição ataque-defensa lenta, apertando a saída de bola - Vander, Pereira e Robert marcavam os zagueiros e volante do Bragantino no campo defensivo do adversário -. Já o time de Bragança Paulista aproveitava os espaços deixado por Diogo Matheus. Mancini viu bem, e pediu para que Rhayner ajudasse naquele setor, fechando os espaços. Guarde bem essa informação.

O primeiro tempo não foi de uma atuação ruim. Claro que faltou um pouco de objetividade no ataque, mas o Vitória não deixou o adversário ser superior, mesmo precisando do resultado e atuando dentro de casa. Tanto que, a posse de bola terminou com apenas 2% de diferença. 

Já no segundo tempo, a postura da equipe foi diferente. Mancini ajustou o time no 4-1-4-1, com a intenção de compactar, deixar o adversário avançar e abrir espaço nas costas dos zagueiros para um contragolpe. Poderia ter dado certo, se tivesse força para contra golpear. 

Aos 22 minutos, o voluntarioso Rhayner pediu para sair, sendo substituído por Flávio. Este pra mim, um dos pontos cruciais da partida. Com a saída de Rhayner, o lado direito do Vitória voltou a ceder espaço.  

Vejam o 4-1-4-1 do Vitória com Rhayner em campo. Vander na extrema esquerda, Pereira e Jorge Wagner por dentro e Rhayner na extrema direita, fechando o espaço, ajudando Diogo Matheus. Pereira tinha uma importante função quando o time roubava a bola. Conseguia fazer o giro e levar rapidamente para o ataque, faltava quem o ajudasse. 

A equipe rubro-negra já não tinha forças para tentar atacar o adversário, o pior foi, mesmo atuando com os 11 atrás do meio campo, ter cedido espaço.

lembram do que destaquei sobre Rhayner? Pois bem, notem agora na imagem abaixo.

Vitória lento e desorganizado na transição defensiva. Flávio (círculo vermelho) não fecha o espaço como Rhayner fazia, olhou a bola e esqueceu de marcar o adversário em suas costas. Diogo Matheus fechou por dentro e o corredor ficou livre para o avanço (seta amarela). Enquanto isso, Marcelo Mattos cede muito espaço ao jogador que possui a posse de bola, dando a ele o tempo necessário para pensar o jogo. Olhem onde está Diego Renan, retornando com toda sua "disposição", ao invés de acelerar o passo para recompor a primeira linha.

Na sequência, Flávio (círculo vermelho), já ficou no meio do caminho, Diogo Matheus abandona seu marcador para tentar impedir o cruzamento no espaço deixado por Flávio, Marcelo Mattos já saiu do jogador que tinha a posse e tenta acompanhar Diego Maurício que viria a fazer o gol. Mas onde está Diego Renan? Retornando com todo sua "disposição", deixando Vinícius com dois adversários.

No futebol moderno, a negação de espaços é um aspecto importante para não deixar o adversário ser superior. Quando o time perde a bola no sistema ofensivo, a transição ataque-defesa, precisa ser rápida, para evitar gols como esse citado.

Um dos mais criticados, Pereira, na minha visão, teve um bom desempenho em campo (falta sequência). Lembram do que citei sobre ele anteriormente?. Pois bem, aos 42 minutos, em uma dessas jogadas de Pereira, David teve a grande chance de colocar o Vitória novamente na frente, mas desperdiçou. 

O golpe final veio aos 45 minutos, com Chico, acertando belo chute após Amaral ter rebatido a bola para a frente da área. 

Conclusão

Vagner Mancini pode ser criticado? sim, teve sua parcela de culpa. Suas escolhas são questionáveis? sim, mas é o principal culpado? Não. Sabe quem eram as opções no banco de reservas para mudar o jogo? Amaral, Flávio, Marcelo e David. É com essas opções que a diretoria afirma nos microfones que vai ganhar o campeonato? E se tivesse entrado desde o início com as peças que ficaram no banco teria resolvido? será mesmo torcedor, que os vaiados e criticados David e Flávio eram as soluções? 

Temos que ter critérios para analisar, Eu não teria entrado com no mínimo dois jogadores que Mancini optou, mas repito, esse pra mim não é o ponto principal neste momento. Com um pouco mais de qualidade no elenco, a chance de sair de campo vencedor seriam enormes. 


Por Cassio Santos/@CassioNSantos

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