PAPO TÁTICO: Com problemas na transição, Vitória sofre diante do ABC

Depois de ter goleado o lanterna Mogi Mirim por 4 x 1 na Arena Fonte Nova, a expectativa era para que o Vitória conseguisse repetir a boa atuação, desta vez, contra o ABC, vice-lanterna e ainda sem vencer dentro de casa na série B.

No entanto, tudo aconteceu de maneira contrária, e o empate sem gols, foi um lucro enorme para a equipe rubro-negra, graças a bela atuação do goleiro Gatito Fernández.

Mancini tinha duas opções para escalar a equipe (baseado no que o próprio treinador vem fazendo), na qual destaquei durante a semana pelo twitter (@CassioNSantos). A primeira, repetir a equipe que havia goleado o Mogi, enquanto a segunda, colocar Escudero de volta ao time, sacando o garoto Flávio. A última opção foi a escolhida.

Mesmo com a atuação apagada de alguns atletas, um problema antigo da equipe ficou ainda mais evidente nesta partida, as transições, principalmente ataque-defesa (quando perde-se a posse de bola).

O futebol está dividido em quatro momentos. Quando a equipe possui a posse de bola, quando está sem a posse e as transições ofensiva (momento em que recupera-se a posse) e defensiva (momento em que perde- se a posse).

Os treinadores trabalham exaustivamente todos estes momentos do jogo, para ter em campo uma equipe organizada, com seus jogadores cientes do que fazer em cada momento.

Quando uma equipe está no momento ofensivo, ou seja, atacando seu adversário, os atletas estão focados no que fazer para encontrar espaços e surpreender seu adversário, mas, no momento da perda da posse de bola (transição defensiva), o jogador deve mudar rapidamente seu comportamento, e retornar a sua posição de origem, evitando que o adversário encontre espaços para encaixar um ataque.

Existem alguns mecanismos (individuais e coletivo) que são treinados, para se ter uma transição defensiva (ataque-defesa) mais eficaz. Um deles, quando perde-se a posse, o(s) jogador (es) mais próximo do portador da posse, encurta o espaço, fazendo com que a jogada adversária seja atrasada, dando tempo dos demais companheiros realizarem a recomposição.

Outro mecanismo utilizado por algumas equipes, são as chamadas "faltas táticas". Quando a equipe que perdeu a posse comete uma falta, forçando a parada do jogo e dando o tempo necessário para a recomposição.

No caso do Vitória, a transição defensiva é demasiada lenta. A equipe sobe para atacar, mas não consegue realizar nenhum destes mecanismos citados com exito, além dos jogadores demorarem para retornar, deixando geralmente a primeira linha exposta.

Vejam na imagem, o Vitória perdeu a posse e está no momento de transição defensiva. O jogador que possui a posse de bola está livre para pensar o jogo. Notem a primeira linha rubro-negra totalmente exposta, corredores abertos... São 5 jogadores do ABC atacando contra 4 do Vitória atrás da linha da bola (Superioridade numérica para o adversário, o que é fatal contra um time pouco mais qualificada).

Outro problema. Geralmente, o Vitória atua com uma marcação alta, pressionado a saída de bola adversária. O intuito desse estilo de marcação é pressionar o adversário ainda no seu campo de defesa para assim, recuperar a posse, ou dificultar ao máximo a saída adversária. Porém, se o time se propôs a realizar esse tipo de marcação, deve-se fazê-lo com força, velocidade e coragem. Todos os atletas devem estar imbuídos do mesmo pensamento, para não deixar espaços no meio do caminho, quando um jogador avança para apertar a marcação, mas seu companheiro não acompanha, deixando um adversário livre para ser opção de passe. Neste exemplo citado, a equipe adversária conseguirá realizar seu jogo tranquilamente, pois encontrará diversos espaços no meio campo.

Conclusão

Se a equipe não está preparada para realizar uma marcação alta, é preferível que diminua a marcação para um bloco médio-baixo (atrás da linha do meio campo), no caso do Vitória no 4-1-4-1 que vem sendo utilizado, diminuindo assim o espaço para o adversário no meio campo, e buscando ser mais eficaz no contragolpe. No caso de ontem, não seria retranca, mas sim, ser ciente das limitações de sua equipe e montar uma estratégia de jogo que poderá ser mais eficiente.

Sempre serei a favor de um time que jogue pra frente, que sufoque seu adversário no campo defensivo, tenha  posse de bola, impondo seu ritmo... Mas nem sempre isso é possível. E o treinador precisa entender este momento para passar a instrução correta a seus comandados.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos

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