PAPO TÁTICO: Desorganizado, Vitória vence o Luverdense na base da vontade

Quando se fala em série B, logo se pensa "Guerra". Sim, é guerra, mas são nas batalhas que estão as melhores estratégias. Nenhum exército vai para uma guerra de qualquer jeito, sem estudar seu inimigo, ou montar um plano para derrota-lo.

Depois de vencer o Ceará, o Vitória encarou o Luverdense, em seu segundo jogo consecutivo fora de casa. Enganou-se quem esperava uma partida mais fácil, baseado na qualidade técnica do adversário.

Antes, é preciso frisar que Vanger Mancini escalou o time corretamente, fugindo do discurso inicial de poupar jogadores. Infelizmente, sem um elenco homogêneo tecnicamente, não se pode dar ao luxo de não ter seus principais jogadores na partida.

Sem poder contar com Marcelo Mattos e Rhayner, Amaral e Flávio foram os substitutos. Teoricamente, pouca coisa mudaria na forma da equipe jogar, mas em campo a história foi outra. Testado na última partida no meio campo, Rhayner consegue guardar melhor a posição e ajudava Pedro Ken na criação, como Mattos na marcação. Já Flávio se projeta ao ataque, tentando atuar em todas as posições, e acaba correndo errado, além de prejudicar a transição ataque-defesa.

A equipe rubro-negra iniciou o jogo desorganizada e dispersa. Nos minutos iniciais, o adversário que atuava com 2 linhas de quatro, conseguia marcar razoavelmente bem e sair rápido no contragolpe.


Notem na imagem a desorganização do Vitória. Cobrança de lateral, o jogador que recebe a bola está sozinho. Diogo Matheus abandonou a primeira linha. Amaral disperso, assim como Pedro Ken, que deixará o jogador que passa por trás receber a bola na frente. Além disso, Escudero e Flávio não se preocuparam com a recomposição.



No desenrolar da jogada, vejam o espaço que Diogo Matheus deixou para o atacante do Luverdense. Flávio e Escudero tentam recompor, mas em vão. O Vitória possuía neste momento, oito jogadores no campo de defesa, contra 5 do Luverdense. Criar superioridade numérica nos setores é um dos aspectos que fazem um time vencer, mas sem organização, a superioridade acaba sendo nula. 

Como citado anteriormente, a jogada em destaque foi iniciada a partir de uma cobrança de lateral. O momento em que o sistema defensivo da equipe deveria se organizar, procurando não ceder tão facilmente os espaços.

Apesar de ter terminado o primeiro tempo com 62,33 % da posse de bola, o Leão só criou duas oportunidades. Uma tentativa de bicicleta do zagueiro Guilherme Mattis e o gol marcado por Élton, bem anulado pela arbitragem. Com apenas 37,67 % de posse, o adversário também teve duas boas oportunidades para abrir o placar.

O Luverdense creceu no segundo tempo e diminuiu a disparidade da posse de bola, que caiu para 59,5% do Vitória, contra 40,5% da equipe do Mato Grosso. Gatito teve que intervir com uma bela defesa, evitando o gol do adversário em uma cabeçada aos 19 minutos.

Mancini resolveu mexer no time promovendo a entrada de Vander no lugar de Flávio. Em seguida, tentando resolver a recomposição da primeira linha, tirou Diogo Matheus, colocou Euller na esquerda e passou Diego Renan para a direita.

Aos 32 minutos, a substituição mais questionada. Jorge Wagner entrou para a saída de Pedro Ken. E quem poderia imaginar que seis minutos depois, o veterano meia, bastante questionado pela torcida, iria decidir a partida com um belo passe na cabeça de Vander? Apenas Mancini, que o colocou em campo e acabou tendo méritos por isso.

Aquela altura o jogo já estava muito aberto e poderia ter saído gol para ambos os lados. Aos 47 minutos, após belo passe de Élton, Diego Renan fez boa jogada e decretou o triunfo rubro-negro.

Conclusão

A organização tática é o início para se construir uma vitória. Os jogadores do Vitória precisam entender que a estratégia deve ser obedecida durante toda a partida, independente da qualidade técnica do adversário. Desorganizado, o rubro-negro deixou o jogo se desenrolar de maneira muito aberta, e poderia tranquilamente ter levado um gol e o resultado ter sido completamente diferente. É necessário atenção, diminuir os erros e buscar negar os espaços as outras equipes.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos
Dados: Foot Stats






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