PAPO TÁTICO: Com dificuldades para propôr, Vitória não sai de empate contra o América-MG no Barradão

Dois jogos dentro de casa e dois péssimos resultados. Depois do empate sem gols com o Macaé (0 x 0), o Vitória voltou a empatar no Barradão, desta vez, em 1 x 1 com o América-MG.

Após essas partidas, ficou evidente duas questões:

1 º A equipe rubro-negra não sabe propôr o jogo e, consequentemente, acaba tendo dificuldades em vencer times que possuem uma proposta mais fechada. Falta troca de passes mais rápidas, movimentação dos jogadores, principalmente quando sem a bola, criando opções de passes, ultrapassagens... Quando o Vitória precisa jogar pra frente, acaba sendo muito previsível e fácil de ser marcado.

2º Mancini já percebeu que algo deve ser feito. Os adversários já estudaram a forma de atuar do Vitória, e descobriram como anular, é necessário buscar outras alternativas. A grande dificuldade é fazer isso num elenco limitado tecnicamente.

Sobre a partida, o América-MG veio com a proposta de jogar fechado e aproveitar um erro do rubro-negro. Postado num 4-2-3-1 que variava para o 4-4-2 (duas linhas de quatro), o Coelho deixou os zagueiros do Vitória com a posse de bola, mas fizeram uma blitz no meio campo.


No momento da imagem, o América está posicionado num 4-4-2 em linhas (amarelo), deixando os zagueiros do Vitória com espaço para jogar, porém, marcando as opções de saída pelo meio campo. Pelo lado rubro-negro, Marcelo Mattos se alinha entre os zagueiros, realizando uma saída de 3. Mattis percebi Diogo Matheus com espaço e toca, porém, a equipe está muito espaçada, as opções mais "próximas" são Flávio e Rhayner. 

O Vitória teve 66,1% da posse de bola, porém, uma posse mentirosa, já que na maioria do tempo, apenas os zagueiros e Marcelo Mattos eram quem tocavam a bola de um lado para o outro.

Percebendo a dificuldade da equipe, Pedro Ken tentou buscar o jogo visando facilitar a saída.


Pedro Ken volta para buscar o jogo visando ajudar a transição defesa-ataque, mas os companheiros de frente não se movimentam bem. Olha onde está Rhayner, o extremo da direita do 4-1-4-1 ou o atacante aberto pela direita no 4-3-3 (quando o time tem a bola), no círculo central, marcado por dois adversários. Para ajudar na transição, Rhayner deveria vir para sua posição, abrindo espaço para Flávio encostar em Ken pelo meio. 

Ou seja, os jogadores precisam jogar sem a bola, se movimentar para criar espaços e opções de passe. Sem isso, o Vitória acabou ficando previsível, facilitando o encaixe da marcação adversária.

Com muitas dificuldades para chegar à frente no primeiro tempo, o Leão ainda deixou espaços atrás e por pouco não saiu para o intervalo com dois ou três gols a favor do Coelho.

Sem ter conseguido profundidade (coisa que também não aconteceu contra o Macaé), Mancini promoveu a entrada de Rogério no lugar do apagado Flávio. O atacante até que tentou, do seu jeito, levar o time a encontrar oportunidades para marcar, mas nada que incentivasse os demais e nem a torcida.

A situação piorou quando aos 24 minutos o América abriu o placar em cobrança de pênalti. Perdendo dentro de casa, após um empate no último jogo, os jogadores do Vitória sentiram o golpe e passaram a ser presa fácil. Mancini ainda tentou mudar o rumo da partida com Pereira e Robert, mas pouca coisa mudou.

Em uma dessas coisas curiosas do futebol, aos 41 minutos, Rogério aproveitou um vacilo de Alisson e conseguiu encontrar o gol de empate, para alívio geral, já que uma derrota dentro de casa seria ainda pior. Um lance isolado, que acabou salvando o Leão.

Conclusão

Evidente que algo precisa ser feito. O rendimento da equipe caiu, principalmente contra equipes mais fechadas. A transição é lenta, passe vertical quase não existe, entre outras coisas já citadas. Mancini terá dificuldades, já que seu elenco não é homogêneo tecnicamente. Algumas peças podem ser preservadas, outras que não vinham tendo oportunidades podem surgir... É necessário ao Vitória se reinventar e buscar alternativas. Claro que, nada se compara ao início da temporada, mas é preciso ligar o sinal de alerta para não deixar a peteca cair.


Por Cassio Santos/@CassioNSantos

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