PAPO TÁTICO: Apático e sem criatividade, Vitória empata com o Oeste no Barradão

O torcedor do Vitória vai ao Barradão e não sabe qual time vai encontrar em campo. Se aquele que aperta a marcação no campo ofensivo, não deixando o adversário jogar, se movimenta e busca o gol, como aconteceu contra o CRB e os 15 minutos iniciais quando enfrentou o Santa Cruz, ou o Vitória de ontem, apático, sonolento, sem criatividade, esperando que a qualquer momento uma bola entre para conseguir o triunfo...

Destaquei na partida diante do Santa Cruz o início intenso do time rubro-negro, com boas movimentações, principalmente a sociedade triangular entre David, Flávio e Diogo Matheus, que naquela ocasião foi o setor que funcionou melhor. No jogo de ontem os três citados estavam em campo, mas nem de longe lembravam aquela organização e compactação de outrora.

Do lado esquerdo também existiu a falta de aproximação (Diego Renan, Rhayner e Escudero), sem contar a noite ruim que viveu o argentino.

As únicas jogadas do Vitória no primeiro tempo, exceto um arremate de David (fora da área), eram os cruzamentos laterais, que nem chegavam a ser da linha de fundo, já que a equipe não conseguia profundidade pela falta de movimentação, ultrapassagens, toques rápidos e opções de passe.

No futebol moderno, o time que é inferior tecnicamente, ainda mais atuando longe de seus domínios, vai jogar por um gol, com os 11 atletas atrás da linha da bola. Isso não é novidade para ninguém, e pra mim, não serve como desculpas para um time apático, que aceita facilmente a marcação adversária.

Vejam o setor direito do Vitória, que elogiei contra o Santa Cruz, pois jogavam compactos, com triangulações. Flávio manda a bola na área, só tem Diogo Matheus ao seu lado, David não se juntou para compactar e dar opção, foi para a área. Ou seja, não tentaram ganhar profundidade para levar mais perigo. Notem que dentro da área existem dois jogadores a mais do Oeste (superioridade numérica). Os jogadores adversários circulados em vermelho, são os que dão essa superioridade numérica nos setores, necessária tanto para chegar ao gol como para quem busca se defender. 

Aos 10  minutos da segunda etapa, o castigo, que já poderia ter vindo desde o início do primeiro tempo, com duas boas chances criadas pelo Oeste.

A jogada se inicia com Rhayner perdendo a bola no setor de ataque, coisa que já destaco e observo há alguns jogos. Rhayner precisa entender que sua função hoje é outra, e não mais de atacante. O mesmo atua em uma faixa de campo que não se pode perder a bola, já que não vai ter tanta cobertura.

Outro defeito ficou evidente no lance do gol sofrido. A transição lenta ataque-defesa.
Olhem o espaço que Diego Renan deixa para o adversário que está passando no corredor... O lançamento é dado por cima, e D. Renan continua na mesma "velocidade", ao invés de aumentar os passos e encurtar o espaço. 

Como Diego Renan não acelerou para diminuir o espaço, o adversário teve a oportunidade de finalizar. Gatito, vendo que D. Renan não fechou, tentou sair e ficou pelo caminho, colocando a bola para dentro (sem querer), no corte de Kanu.

O Oeste deu ao Vitória o seu maior mal, a posse de bola. Foram 65,5% do Leão, contra 39,5% da equipe paulista. No entanto, com um time pouco criativo, pouco vale a posse.

Perdendo a partida, dentro de casa, Mancini busca no banco de reservas opções para mudar o panorama. Vander, depois Jorge Wagner, entram no jogo, muito pouco para uma diretoria que tem no discurso a briga pelo título.

O gol que diminuiu o vexame veio aos 27 minutos, após cobrança de escanteio, Rhayner se esticou e empurrou a bola para o fundo das redes. Única arma utilizada pela equipe em toda a partida, as bolas alçadas na área.

O rubro-negro ainda ensaiou uma reação no final, mas pouco perigo levou a meta de Jeferson. A falta de criatividade perdurou até o final.

Conclusão

Dentro de casa, o time não tem escolha. O próprio Vitória sabe a receita para vencer times fechados, pois já o fez em alguns jogos. Intensidade, movimentação, compactação....... Mas qual o motivo para que em alguns jogos o time entre focado, sabendo o que precisa ser feito e em tantos outros disperso? sem disposição para vencer?

Fato é que, não adianta lamentações pelo fato do adversário ter vindo fechado, é preciso buscar alternativas para supera-lo.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos



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