PAPO TÁTICO: Vitória muda postura fora de casa e vence o Paraná

O Vitória voltou a vencer fora de casa após quase dois meses. O último triunfo do Leão longe do Barradão na série B, havia sido diante do Oeste, no dia 16 de maio, pela segunda rodada.

Depois de uma partida apática contra o Boa Esporte em Varginha, o técnico Vagner Mancini resolveu mudar a postura da equipe para o duelo contra o Paraná.

Sem poder contar com Escudero, mas com o retorno de Rogério, Mancini se desfez do 4-1-4-1, e optou pelo 4-4-2.


Na imagem capturada é possível visualizar a segunda linha do Vitória. Notem que Amaral, fez parte da linha, e não atrás dela, como acontecia no 4-1-4-1. No entanto, atuar por dentro de uma segunda linha, exige que o jogador tenha uma boa técnica, boa chegada à frente, além da noção de marcação. Será que Mancini tem esse jogador no elenco?


Sem o volante entre as duas linhas de quatro, Amaral passou a atuar na segunda linha. Na frente, um quase nulo Rogério, ao lado do destoante Élton.

Com a posse de bola, o Vitória variava para o 4-3-3, em um triângulo invertido no meio campo, com Flávio e Pedro Ken fazendo a função de meia. Sendo que o primeiro era quem tomava mais iniciativa e, muitas vezes, precipitadamente, se posicionando mal e tentando atuar em todas as faixas do campo, o que acaba dificultando seu retorno à posição inicial, prejudicando a recomposição do time.


Na prancheta, o rubro-negro no 4-3-3 quando tinha a posse de bola, e as setas mostrando o movimento dos jogadores nas jogadas ofensivas.

Apesar das alterações, o que fez com quê o Vitória derrotasse o Paraná por 1 x 0, foi a mudança de postura. O que cobramos muito em nosso último post do Papo Tático. Não era possível um time que pretende subir, atuar da maneira medrosa como no duelo contra o Boa.

Mancini parece ter aprendido a lição e, contra o Paraná, apertou a saída de bola adversária, visando recuperar a posse rapidamente e não se abdicou do ataque em busca do gol, que saiu com David (entrou no lugar de Rogério), aos 15 minutos do segundo tempo.

Cabe ao treinador enfatizar essa postura contra qualquer adversário. Porém, é necessário corrigir alguns erros que aconteceram durante a partida, que poderiam ter sido cruciais.

Primeiro, o jogador precisa entender que, marcação não é, necessariamente, dar botes para tentar roubar a bola a qualquer custo. Marcação é fechar os espaços do adversário, as opções de passe e forçá-lo a mudar de direção, consequentemente errando o passe.

No jogo, foi possível observar alguns jogadores ansiosos, que tentavam o bote, levavam o drible, o que acaba deixando o adversário em vantagem numérica.


Veja na imagem capturada. Pelo lado positivo, o Vitória possui 5 jogadores fazendo uma marcação avançada, procurando forçar o erro do adversário, no entanto, eles estão mal posicionados. Note que já existe três atletas rubro-negros (3,4 e 5) após a linha da bola. O jogador que tem a pelota, possui três opções de passe (destacadas com o círculo vermelho). Não se pode dar essa liberdade, principalmente ao jogador que se aproxima pelo meio, pegar a bola e pensar o jogo. Quando os jogadores de frente avançam para fechar os espaços, é necessário que os atletas de meio acompanhem, mantendo o time compactado e anulando essas opções de passe.

Em alguns momentos o Vitória ficou no mano a mano na marcação, muito pela precipitação do seus jogadores na marcação.

Valeu os três pontos, mas, principalmente, valeu a postura do time em campo. É o mínimo que o torcedor pode esperar do Vitória atuando em uma série B.

Por Cassio Santos/@CassioNSantos
Foto: Reprodução TV Bahia

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