PAPO TÁTICO: Aplicado taticamente, Vitória goleia o Bahia no Barradão

O Vitória aplicou uma bela goleada pra cima do arquirrival Bahia, ontem à tarde no Barradão, por 4 x 1, e lavou a alma do torcedor rubro-negro.

Em nosso último papo tático deixamos claro como o Bahia gostava de jogar e qual a forma de anula-los, o que acertadamente, foi colocado em prática por Vagner Mancini.

Muitos torcedores (apaixonados), questionaram meu comentário no twitter (@CassioNSantos), onde afirmei que o Leão não jogou para golear, mas sim, o suficiente para vencer no erro do adversário. Não quero com isso, desmerecer o empenho tático dos jogadores, mas tenho que deixar a emoção de lado e ser realista/coerente nas minhas análises.


As duas equipes iniciaram a partida sem alterar seus esquemas de jogo. No Vitória, duas alterações (acertadas) por opção técnica, Marcelo no lugar de Amaral e Rhayner na vaga de Rogério. No Bahia, Williams Santana e Adriano entraram no lugar dos lesionados Kieza e Tony, respectivamente.

Vejam na prancheta o Vitória no 4-1-4-1, enquanto o Bahia veio num 4-4-2 losango, com Maxi sendo o responsável pela armação das jogadas ofensivas.

Pois bem, o fator crucial para a partida foi o gol de Guilherme Mattis logo aos 4 minutos, que deu tranquilidade para o rubro-negro colocar em prática uma proposta de jogo reativa. Pelo fato de ter balançado as redes muito cedo, não deu para perceber se essa seria a estratégia ou se o gol marcado fez com quê a equipe optasse pelo contragolpe.

A estratégia do Vitória era clara, colocar pressão nos jogadores que dão a saída de bola do adversário, principalmente Pittoni, que recuava para a linha dos zagueiros, fazendo uma saída de três (veja na imagem abaixo), porém, tinha Flávio sempre em sua companhia.


Como dito pelo próprio Vagner Mancini na coletiva pós jogo, a marcação no primeiro tempo não encaixou como deveria. Com o recuo de Pittoni, os zagueiros abriam para dar a opção do passe. Neste momento, Elton estava marcando Robson, enquanto o ideal seria apertar Titi, que tem um passe longo melhor. Quando a bola chegava nos pés de Titi, Pedro Ken saia do meio e avançava tentando diminuir o espaço, no entanto, deixava um jogador de meio adversário livre. Mesmo assim, em vários momentos a equipe rival quebrou a bola pra frente, e tinham enormes dificuldades em sair com a bola nos pés, como de costume. Méritos para os jogadores e a estratégia adotada por Mancini.

Por outro lado, o Vitória precisava ter mais a posse de bola, trabalhar as jogadas ofensivas com mais calma, visando ampliar o marcador, coisa que não acontecia. Quando o time recuperava a bola, tentava definir a jogada muito rápido de forma vertical, explorando muito as jogadas individuais de Rhayner e os belos passes de Escudero.

A proposta reativa do Leão, como citado antes, era muito clara. Esperar o adversário sair para o jogo e matar no contragolpe. Tanto quê, os outros três gols da equipe surgiram desse mecanismo.

No início da segunda etapa, o Bahia voltou melhor e buscando o gol de empate, o que atrapalhou muito a marcação rubro-negra. Souza já fugia do meio campo e abria na esquerda, tentando sair do aperto e virar uma opção de passe. Naquele momento, o rival poderia ter empatado a partida a qualquer momento, em jogada individual de Williams Santana chutando pra fora, com Maxi após cobrança de escanteio quando Mattis salvou em duas oportunidades..... porém, para alívio da nação, num rápido contra-ataque, Diego Renan sofreu pênalti, convertido por Escudero.

Com Flávio já cansado em campo, e após um erro de passe infantil que por pouco não trouxe problemas, Mancini sacou o garoto e colocou Rogério em campo, posicionado no setor esquerdo de campo, enquanto Escudero passou a atuar por dentro. Pelo Bahia, com a substituição de Pittoni, para a entrada do atacante Mário, a marcação do Vitória voltou a encaixar, já que havia ficado em campo apenas Souza e T. Real com o poder de dar qualidade a saída de bola.

Em mais um contragolpe, Rhayner deu um bom passe para Rogério, que acertou o chute, marcando o terceiro tento rubro-negro.

O Bahia ainda viria a diminuir com Maxi, após cobrança de escanteio, em vacilo de Amaral como na primeira jogada. Já na reta final da partida, o estreante Robert, que havia entrado no lugar de Elton, acertou um lindo chute, encerrando o clássico com chave de ouro.

Valeu pelos três pontos, pela disposição dos jogadores em cumprir a estratégia proposta pelo treinador e, acima de tudo, ter aproveitado as chances que teve, coisa que o rival não conseguiu. A proposta de jogo foi arriscada, mas funcionou, porém, como analista, não posso jamais dizer que o Vitória mereceu golear. Mereceu sim o triunfo e estão de parabéns por isso!

Por Cassio Santos/@CassioNSantos

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